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Record não decide se come na mesa de Deus ou na mesa do Diabo

domingo, 17 de dezembro de 2017

Atravessando uma das piores fases de audiência dos últimos anos, a Record paga um alto preço por não saber se é uma emissora de TV ou igreja. Desde o início da década de 1990, sob posse de Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, e aos comandos da alta cúpula da instituição religiosa, a Record transita entre o céu e o inferno, entre o entretenimento e propagação da igreja de seu dono.

Apesar do grande investimento (dízimo) e bons resultados a partir de meados dos anos 2000, a grade do canal foi tomada por programas e telecultos oriundos da IURD. Para se ter ideia do que se tornou a Record, diariamente, de segunda a sexta, cerca de 8 horas ou mais é dedicada ao gênero religioso, como o "Fala Que Eu Te Escuto" e "Programação Universal" que tomam conta de toda a madrugada, e as novelas bíblicas no horário nobre.

Até o jornalismo não escapa da Universal. O "Balanço Geral" do meio dia é interrompido por uma inserção da igreja, na qual um bispo faz uma oração e promove alguma campanha. Se a Record inventa de produzir um documentário jornalístico, a temática é religiosa. Na última segunda-feira (11), o canal exibiu o especial "Hebreus - a Saga de um Povo" como um dos destaques do fim de ano.

Após o matinal "Hoje em Dia", dispara o "Minuto do Casamento" com o casal vinte da IURD Renato e Christiane Cardoso, do clã de Edir Macedo. Aos sábados, os pombinhos também podem ser vistos no "The Love School", programa sobre conselhos matrimoniais que tem a cara da Igreja Universal.

Mais agravante é que, além de apostar em novelas e séries bíblicas, a IURD agora começou a interferir diretamente na teledramaturgia da Record. É o caso do fracasso "Apocalipse", novela-canhão da igreja. A novela de Vivian de Oliveira surge irreconhecível por conta de modificações no texto. O que se sabe é que a Christiane Cardoso e demais bispos resolveram dar uma de autores. A interferência é tanta que o produção mais parece um teleculto, sem disfarces, da Igreja Universal.

Por essas e outras, o público se afasta, a audiência despenca. Afinal, quem suporta uma emissora de TV, com fama de beata hipócrita, baixa e invejosa, que não decide se come na mesa de Deus ou na mesa do Diabo? Até por que, para uma emissora de TV tão religiosa, a programação da Record é contraditória.

Totalmente dependente da verba e dominada pela Igreja Universal, a Record deveria assumir sua real identidade e se converter de uma vez por todas.

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