sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Por que "Apocalipse" não tem repetido o sucesso de "Os Dez Mandamentos"?

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Se formos comparar as novelas "Apocalipse" e "Os Dez Mandamentos" é fácil encontrar similaridades. Ambas são tramas bíblicas, contam com passagens da Bíblia pra lá de interessantes, tem o texto fraco de Vivian de Oliveira, são munidas de efeitos especiais e cercadas de expectativas por conta do alto investimento. Entretanto, a maior diferença entre as duas produções é notada pelos números de audiência. Para os bispos da Record, "Apocalipse" seria a nova "Os Dez Mandamentos". Seria... só que não!

Quando "Os Dez Mandamentos" estreou em 2015, a teledramaturgia da Record estava no fundo poço após sucessivos fracassos: "Dona Xepa", "Pecado Mortal" e "Vitória". A caríssima novela que contou a história de Moisés era o primeiro folhetim bíblico da emissora, uma novidade que arriscaria o tudo ou nada e, por fim, acabou dando certo.

Após um mês de exibição, "Mandamentos" já contava com 12 pontos de média, números grandiosos para uma emissora do nível da Record. Diferente dos índices de "Os Dez Mandamentos", que seguiu em curva ascendente e bateu a Globo, "Apocalipse" segue em queda livre com apenas 9 pontos de média durante o mesmo período de exibição.

Mas por que a atual aposta da Record não tem repetido o mesmo sucesso de "Os Dez Mandamentos"? É preciso analisar alguns fatores.

Não é mais novidade

"Os Dez Mandamentos" era uma novidade em 2015. Foi o primeiro folhetim bíblico da Record com direito as famosas 10 pragas e abertura do Mar Vermelho. De lá pra cá, a emissora fez questão de desgastar o nicho bíblico. Empolgada com o sucesso inesperado, lançou uma sequência meia-boca à queima roupa, depois "A Terra Prometida" e também "O Rico e Lázaro". Com o passar do tempo a audiência foi caindo, a sensação do público era de estar vendo aquela mesma novela, como os mesmos atores e figurinos. E mesmo destruindo o mundo em "Apocalipse", desta vez, efeitos especiais não salvarão a super produção da Record.

A pegada é outra

Enquanto a novela de Moisés e Faraó mais parecia uma escola de samba de grupo de acesso, coloridíssima, limpinha e de época por ser situada no mundo antigo, "Apocalipse" se passa nos tempos modernos com um toque sombrio e denso. Como mencionado, ambas carregam um pano de fundo interessante, cativante e conhecido. Mas a forma como atual tem sido contada é oposto do que se viu no Egito. "Apocalipse" promete retratar o fim do mundo, mas na verdade a Record quer abrir fogo contra os "infiéis" e propagar a igreja de Edir Macedo. A cúpula da Universal tem interferido no texto da autora, o que não acontecia em "Os Dez Mandamentos". Resultado disso tudo: boicote e audiência indo para o brejo.

Dessa vez a Globo não vacilou

Na época que "Os Dez Mandamentos" explodiu, a Globo cometia sérios erros com a polêmica e boicotada "Babilônia". Foi quando a Record se aproveitou para vender a "novela da família brasileira". Para piorar, a emissora dos Marinhos lançou a confusa "A Regra do Jogo" justamente no auge da novela bíblica. "Os Dez Mandamentos" não era lá essas coca-cola toda, só foi impulsionada pelos vacilos da Globo, que entrou numa crise de audiência, fazendo parte do público conhecer a trama da concorrente por falta de opção. Após a nuvem negra, a líder se reergueu, voltou com tudo no horário nobre com "A Força do Querer" e a atual "O Outro Lado do Paraíso", resgatando o público fujão. Apesar de não concorrerem diretamente, as novelas da Globo jogaram "Apocalipse" num abismo de esquecimento e fracasso.
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