terça-feira, 26 de dezembro de 2017

#Ficaadica: "Jornal Nacional" precisa botar a cara pra bater

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William Bonner no comando do "Jornal Nacional" (Foto: Reprodução/Globo)

Aos 49 anos de idade, o "Jornal Nacional" já passou por inúmeras mudanças, dos apresentadores ao enquadramento da câmera.

O âncora e editor-chefe William Bonner, por exemplo, deu a partida em quebrar o gelo do telejornal de maior audiência do país. Graças a ele, os demais apresentadores hoje podem sorrir, fazer piadinhas, falar termos moderninhos e até andar pelo estúdio super hightech do JN, coisas que no passado eram inimagináveis para um telejornal que tinha a maior fama de sisudo. Até os textos das reportagens são mais agradáveis, de fácil compreensão.

Aproveitando a onda da informalidade e interação com o telespectador, o ex de Fátima Bernardes vez por outra dar dicas ao pessoal de casa. Na última semana, Bonner surpreendeu ao fez um rápido tutorial de como filmar usando o smartphone. Na tela apareceu a hashtag #Ficaadica.

Já nesta terça-feira (26), o tio repreendeu uma telespectadora que enviou um vídeo de um acidente numa estrada do sul do país. Na imagem, a telespectadora mostra um acidente em que um caminhão carregado de telhas tomba na rodovia. A gravação mostra que a mulher, que viajava no banco do passageiro, coloca um pé no painel do carro. A atitude de Bonner foi válida ao alertar sobre o perigo de colocar o pé onde não deve.

No entanto, não é esse o tipo de informalidade que o público do "Jornal Nacional" espera ver. Se fosse feita uma pesquisa, creio que a esmagadora maioria gostaria de assistir um telejornal mais opinativo e independente, daquele que bota a cara pra bater, custe o que custar. E não estamos falando de um mero e raro editorial do jornalismo da Globo.

Imagine, por exemplo, um comentarista ou o próprio âncora do "Jornal Nacional" metendo o pau, com postura é claro, contra a corrupção política em Brasília ou criticando impostos e alta de preços? O impacto seria grande, afinal, é o telejornal mais visto do país. 

É possível opinar e ao mesmo tempo ser imparcial. Basta falar o que o povo quer ouvir e tem vontade de dizer. Alexandre Garcia já faz isso no "Bom Dia Brasil", assim como Chico Pinheiro. No "Jornal da Globo", William Waack (que Deus o tenha) também destilava seu veneno quando comentava determinadas pautas.  

E porque não incorporar tais características no JN? Forças externas, maiores que a Globo, a impedem de fazer isso. Além de ser estar presente na vida do brasileiro e ser formadora de opinião até quando não quer ser, bandeiras políticas e ideológicas e a terrível patrulha das redes sociais representam hoje a maior barreira que impede que o "Jornal Nacional" tome coragem a ponto de botar a cara pra bater.

Enquanto isso... Bonner e Renata Vasconcelos seguem lendo o teleprompter. E ele... fazendo gracinhas sem graças.
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