Rezende no "Cidade Alerta": não temos motivos para enaltecê-lo


No último sábado (16), a Record, o programa "Cidade Alerta" e seus telespectadores perderam Marcelo Rezende. O jornalista morreu em São Paulo, aos 65 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos em consequência de um câncer.

Sentimos muito, claro! No entanto, enquanto todo mundo e antigos críticos ferrenhos agora resolvem enaltecê-lo como mestre-apresentador, o Detona TV não tem como deixar passar certas verdades do que se passava na tela da TV e nos bastidores do programa envolvendo o nome do finado. Ressaltamos que este post não trata de sua vida e sofrimento pessoal, longe disso, mas da figura que aparecia no comando do "Cidade Alerta".

Apesar de disparar a audiência e fazer a alegria do público carniceiro da emissora, com excessiva exploração da desgraça alheia e sensacionalismo naquele circo dos horrores, Marcelo Rezende não era lá esse sinônimo de grande e bom apresentador de TV. Sempre condenado e criticado, mas havia quem o defendesse e gostasse de seu jeito desnivelado de fazer televisão.

Aos que tem bom gosto, o "Cidade Alerta" era tido como um lixo na TV. E ainda é. Com Marcelo no comando, o grau da baixaria jornalistica elevava-se. Rezende envergonhava o telejornalismo nacional com seu policialesco diário de quase quatro horas. Se achava o rei do jornalismo e dono da verdade, verdade duvidosa. Com péssima dicção, sotaque provinciano e aos berros - quase perdendo a voz, Rezende dava uma de comediante, palpiteiro, especialista, aeronáutico, investigador... Banalizava a violência e fazia piada com a desgraça, como se tal conteúdo fosse motivo para diversão e risos. Em nome da audiência e do olho no público pobre e sem voz, Marcelo esquecia que por trás de todas aquelas mortes e barbaridades que noticiava, havia histórias de pessoas reais.

Segundo informações que pipocavam na imprensa (é só dá um Google), somando ao que o público costumeiramente presenciava na tela da Record, além de atacar e desdenhar da concorrência em época favorável, Rezende ofendia, destilava veneno e fazia barraco contra seus próprios colegas, incluindo jornalistas e profissionais de apoio. Ao vivo, repórteres recebiam apelidos infantis e eram moralmente assediados pelo apresentador.

Já nos bastidores da Record, como informou certa vez o site "Notícias da TV", vários profissionais pediram para deixar o "Cidade Alerta" por causa do jornalista. Nos corredores da Barra Funda, Rezende era visto como o chefão do telejornal. Lá, todo mundo sabia que era ele quem mandava e desmandava no programa. Diretores editores-chefes cumpriam suas determinações, o que incluía demitir membros da equipe quando uma falha era apontada pelo âncora.

Ao longos dos anos, a memorável biografia de Marcelo Rezende, por sinal excelente nos tempos de quando fazia jornalismo sério, foi arranhada por conta de sua visível e tremenda arrogância e estilo grotesco de fazer TV, resultante do ar de mega celebridade popularesca que ganhou na Record. Se na vida real, longe das câmeras, ele era uma grande pessoa e aquele exemplo de um ser humano que lutou pela vida... elogiável! Mas, na tela do "Cidade Alerta", infelizmente, não podemos render sinceros elogios.

Que o Marcelo descanse em paz!

Em tempo:
Rezende foi diagnosticado no início do ano com câncer no pâncreas com metástase no fígado. Ele se afastou do comando do "Cidade Alerta" para fazer o tratamento de quimioterapia. Logo, optou por um tratamento alternativo e acreditava que a cura viria de sua fé.
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