Público órfão e sanguinário da Record rejeita novo telejornal

Carla Cecato
Desde sua estreia em 25 de julho, exatamente com um mês no ar, o telejornal local "SP Record" tem sofrido para consolidar público no horário nobre da emissora dos bispos. Consolidar talvez não, segurar o resto de público que era acostumado a acompanhar o "Cidade Alerta" na faixa.

O noticioso que foi apresentado como um dos investimentos da nova grade noturna da Record acabou derrubando quase que pela metade a média que a emissora costumava registrar no horário com o “Cidade Alerta”.

No ar entre 19h15 e 19h45, tendo que enfrentar o programa infomercial da Jequiti, exibido pelo SBT e o mega sucesso "Pega Pega", da Globo, o telejornal apresentado por Carla Cecato não decolou e segue patinando entre 5 e 6 pontos no Ibope da Grande São Paulo.

Dentre as causas do fracasso do telejornal, podemos afirmar que a culpa recai sobre a direção da Record e suas estratégias mirabolantes e orgulhosas. Fato é que o "SP Record" recebe muito mal de outro "investimento" e fracasso, a reprise "Os Dez Mandamentos", que chega a entregar uma média pífia de até (pasme) 5 pontos. Reapresentar uma novela tão recente e tão desgastada definitivamente foi um tiro no pé dos bispos. O desabamento da grade noturna começa a partir daí.

Ainda, a carência do jornalismo sangrento conduzindo com maestria por Marcelo Rezende (de licença por conta de um câncer) e que imperava na faixa hoje ocupada pelo programa de Cecato acabou afastando o condicionado espectador. Sangue e violência era o que impulsionava o horário nobre da emissora que tinha lá seu público fiel. 

Consequentemente, Datena, lá na Band, é quem mais se beneficiou do fracasso dos bispos no horário nobre. O público que rejeitou o "SP Record" por ser "nível" e ausente de sangue, migrou para o "Brasil Urgente", rival do "Cidade Alerta", que tem visto seu Ibope disparar chegando a beirar a casa dos 7 pontos empurrando a Record para o quarto lugar na briga por audiência.

Na contramão do que deseja o público órfão e sanguinário, Carla Cecato entrega um noticiário local bem mais leve, compacto e com prestação de serviço. Vale ressaltar que, apesar de não apresentar grande inovação no formato e ser cópia do global e tradicional "SP2", o "SP Record" destoa, e muito, do estilo policialesco e apelativo que vemos nas edições diurnas do "Balanço Geral" e no que resta do "Cidade Alerta". Uma pena que o "SP Record", que demonstra sinais de qualidade, se perca assim.

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