Sucesso em "A Força do Querer", autora penou em "Salve Jorge" com boicote da Record TV

Glória Perez
Glória Perez está feliz da vida com os resultados de "A Força do Querer". A autora emplacou a novela e reergueu a audiência da faixa das nove na Globo. Mas, em 2012, após emendar uma sequência de novelas bem sucedidas, Glória passou por sérios apertos quando viu "Salve Jorge" naufragar os índices da aclamada "Avenida Brasil".

Antes mesmo de "Salve Jorge" estrear e derrubar os índices, um grande ataque por parte dos evangélicos foi articulado para boicotar a trama que levava o nome de um santo da Igreja Católica, também ligado ao sincretismo de religiões de matriz africana. Na verdade, a única referência ao santo era o fato dele ser o padroeiro da cavalaria na trama.

Imagem da campanha, divulgada por
seguidores da IURD
Creia! A Record TV estava por trás do boicote. Tudo começou quando fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus fizeram campanha na internet contra "Salve Jorge". O bispo Edir Macedo, líder da Universal e dono da Record, escreveu em seu blog que São Jorge, venerado pelo catolicismo e por religiões afro-brasileiras, é um “deus pagão travestido de santo”. Na época, Glória Perez respondeu ao ataque dos evangélicos. “Não se deve ampliar a voz dos imbecis”, disse em entrevista ao jornal O Globo.

Não bastasse a rejeição preconceituosa de uma boa fatia dos telespectadores quanto ao "real" conteúdo da novela, "Salve Jorge" penou merecidamente nas mãos do público e crítica devido aos excessos, furos, mesmices e voadoras da autora e direção.

Dois meses depois, ainda naquele sofrimento para salvar "Salve Jorge" e fazê-la emplacar, o fim da picada se deu quando o programa "Domingo Espetacular", exibido na Record, dedicou quase um bloco inteiro para falar da controvérsia envolvendo a programação da Globo que, segundo os evangélicos, transmitia ensinamentos de religiões afro-brasileiras.

Utilizando imagens sem autorização da Globo, o tema da "reportagem-ataque" foi a campanha dos evangélicos nas redes sociais contra a microssérie “O Canto da Sereia", que tinha acabado de estrear e que também tinha o dedo de Glória Perez. Aproveitando-se, o jornalismo da Record mirou na então novela das 21h, "Salve Jorge". A mensagem era clara, Sereia seria uma referência direta à entidade Iemanjá (ou Ogum) e Jorge teria relação com São Jorge (ou Oxum).

Na reportagem, um pastor reclamava que a microssérie era uma propaganda para religiões afro-brasileiras. A história se passou no Carnaval de Salvador. Outros religiosos também reclamaram que a emissora abria muito espaço para manifestações católicas na programação e pediram que os evangélicos tivessem mais representatividade na TV.



O ataque da Record não atingia apenas a Globo, sua grande inimiga. A guerra tinha chegado ao âmbito da religião, o que deixou funcionários da emissora Edir Macedo envergonhados. Havia boatos de que a matéria exibida no DE teria sido encomendada por fiéis da Igreja Universal. E não foi? Vale lembrar que a Record ficou marcada por utilizar o jornalismo da casa para atacar rivais, como emissoras de TV e outras religiões evangélicas concorrentes da IURD.

Na época, segundo a colunista de TV do Yahoo!, Janaína Nunes, muitos dos funcionários da Record “deixaram de enxergar um futuro promissor no canal”, devido a postura adotada pela direção da emissora. Nos corredores da Barra Funda, a decepção era grande, principalmente para aqueles que tinham de obedecer e se sujeitar a produzir um trabalho que "pegava no pé" até de religião dos outros.

"O Canto da Sereia" foi um grande sucesso e "Salve Jorge", apesar dos pesares e para o alívio de Glória, mesmo virando alvo de piadas e críticas nas redes sociais, caiu na boca do povo, chegando em sua reta final batendo expressivos recordes de audiência.

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