No "Domingo Show", ser pobre e ter algum dom é anormalidade, doença ou mutação

Geraldo Luís comanda o show dos horrores aos domingos na Record TV
"O curioso caso do vaqueiro adulto que tem corpo de criança de 8 anos. Por que ele não cresceu?", anunciava o apresentador do "Domingo Show".

Todo domingo são as mesmas histórias no programa de Geraldo Luís na Record TV. Pessoas pobres e humildes, trabalhadoras e com pouca escolaridade são apresentados ao público do programa, à base da exploração, como atrações de picadeiro num verdadeiro show dos horrores.

Com os atributos supracitados e uma história deprimente, eles carregam um dom ou habilidade, que para a produção do "Domingo Show" é anormal, como se fosse uma doença rara ou mutação genética, a fim de servir como entretenimento televisivo.

Já perdemos as contas de quantos gordinhos, moradores de rua, pedreiros, costureiras, agricultores, nordestinos... e até anões já se tornaram prato cheio para Geraldo e sua equipe explorar. Somente na edição deste domingo (09), além do caso do vaqueiro adulto num corpo de uma criança, também apareceram um agricultor dançarino e uma faxineira cantora. O que há de tão excepcional nisso?

Eles cantam, dançam, imitam algum famoso, fazem cálculos de matemática, podem até possuir um talento extraordinário e habilidades corriqueiras que outras pessoas de qualquer esfera da vida também poderiam ter. Por exemplo, um médico com uma bela voz para o canto ou um arquiteto super genioso jamais se tornariam pauta no "Domingo Show".

Eis é a fórmula do entretenimento de Geraldo e da própria Record: ser desfavorecido na vida financeira e social e, obrigatoriamente, ter um algum dom para oferecer em troca de alguma solução paliativa.

Um simples dom que, aos olhos dos produtores do programa e público da emissora, é visto como anormal, doença ou mutação, digno de alvoroço e espetáculo público.





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