Carnavalescas e exageradas, novelas da Record TV lembram escolas de samba

Gravação de uma cena de "O Rico e Lázaro"
Há quem diga que a Record TV se especializou na produção de novelas bíblicas. Nego. As produções jamais evoluíram desde "Os Dez Mandamentos", não importa se precisaram ir para os States buscar ajuda. É tudo a mesma coisa, pobre e de mau gosto.

Apoteóticas e esbanjando ares de grandeza, as alegóricas novelas bíblicas, assim como as de época, não passam de produções de quinta da CasaBlanca, inferiores como escolas de samba de grupo de acesso.

Apuração: "Quesito conjunto da obra: Nota... ZERO"

Pode reparar... As novelas bíblicas perdem a mão na estética. Tudo é exagerado e carnavalesco. As cores são fortes e os figurinos extravagantes, bregas e nada com nada, a ponto de confundir personagens e espectador desatento.

Cenários, chroma key e efeitos especiais fakes resultam num Carnaval crente. A fotografia também não ajuda. O produto final não fica legal no vídeo. Nem perderei tempo comentando do texto e elenco com trocentos atores.

Isso é o quê, um carro abre-alas?
O telespectador pode comparar as caríssimas produções de época da Record com as da Globo e verá que o grau de realismo e cuidado da emissora dos Marinho é superior. As recentes "Novo Mundo" e "Liberdade, Liberdade" botam no bolso todas as tramas "épicas" da concorrente.

Tais defeitos ficaram ainda mais evidentes na semana em que três personagens de "O Rico e Lázaro" foram lançados na fornalha ardente por desobedeceram a uma ordem do rei de Babilônia. Muito "auê" da autora e diretor para entregar mais uma sequência tosca e nada convincente que comeu dois capítulos. A audiência nem reagiu.

Também, os sets de gravações da novata "Beleventura" são risíveis. É sério que a Record quer convencer o público de que a trama da novela se passará na Idade Média, com aquela estrutura porca? Sugiro que os produtores da Casablanca façam um pesado workshop nos Estúdios Globo.

Gustavo Reiz, autor de "Belaventura"
nos sets de filmagem
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