Minissérie de alta qualidade, "Dois Irmãos" obriga telespectador a fazer uso de legenda

Por: Guilherme Diniz, 12/01/2017, 14h14
Matheus Abreu é destaque em "Dois Irmãos"
A minissérie da Globo "Dois Irmãos", adaptação do romance de Milton Hatoum, com direção de Luiz Fernando Carvalho, estreou na última segunda-feira (09) mostrando a que veio.

Nesta quinta-feira, a produção encaminha-se para o quarto capítulo com o poder de prender atenção do telespectador. Prende não somente pela história arrebatadora e tumultuada dos dois irmãos gêmeos, pela produção de alta qualidade e ótima execução do elenco, mas também por conta da dificuldade no entendimento de determinados diálogos.

Assim como em "Velho Chico", “Meu Pedacinho de Chão”, "Capitu" e "Hoje é Dia de Maria", a títulos de exemplo, Carvalho imprime sua marca e estilo único, o que o torna um dos melhores, ou o maior diretor da teledramaturgia brasileira. Detalhista ao extremo na seleção de tomadas, trilha sonora, técnicas e produção no geral, Luiz Fernando também extrai o máximo da capacidade de seu elenco. Como resultado, eis um ponto negativo em "Dois Irmãos". De tão visceral o desempenho dos atores, a dicção deles é afetada. Às vezes, é quase impossível entender simples palavras ou frases inteiras.

Que dá um nervoso dá! É preciso aumentar o volume do aparelho de TV ou ativar as legendas para uma melhor experiência. Vele lembrar que aparelhos antigos não possuem este último recurso. O incômodo piora pelo uso de expressões linguísticas dos personagens de origem libanesa. Com alta carga dramática, os gemidos, choradeiras, gritos e sussurros, em meio ao texto e interpretações, testam a atenção do telespectador.

Problemas à parte, nada que diminua o resultado final. Apesar da Globo derrapar na produção de algumas de suas novelas ao longo desses anos, minisséries como "Dois Irmãos" suprem a carência de qualidade do gênero na TV aberta. A pobre TV aberta ainda consegue nos surpreender. 
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