Sócio da RedeTV! critica Lava Jato e diz que operação prejudica crescimento da economia

Marcelo de Carvalho
Por: Redação, 17/12/2016, 19h43
Marcelo de Carvalho, um dos donos, vice-presidente e apresentador da RedeTV!, criticou à Operação Lava Jato num artigo publicado pelo jornal Folha de S.Paulo.

O marido de Luciana Gimenez classificou a ação da Polícia Federal com abuso de poder e disse que a operação chega a prejudicar o crescimento econômico do país.

Leia o texto na íntegra:

“A Lava Jato não descobriu nada de inédito. Na verdade, trouxe-nos um choque de realidade. O esquema de obtenção de obras públicas por meio do pagamento de comissões aos agentes governamentais é algo arraigado e disseminado desde os tempos do Império. Sempre falamos disso. Quando pequenos ouvíamos nossos pais contarem anedotas a respeito. Quem não tem uma para contar? Quem não se lembra do ‘rouba, mas faz’?

No entanto, a partir do momento em que se puxou a primeira cordinha, passou-se a desenrolar um novelo interminável que atinge, é óbvio, praticamente todos os partidos, assim como agentes públicos em todos os níveis. Indo-se mais para trás, as grandes obras das décadas passadas passariam ilesas? As privatizações? A construção de Brasília? Juscelino Kubitschek, Adhemar de Barros, Getúlio Vargas? E o barão de Mauá?.

Mas sejamos práticos: uma hora isso terá que chegar ao fim. Do contrário, podemos cristalizar uma mentalidade de caça às bruxas (o que já ocorre, por sinal), em que todo empresário é bandido e todo agente público é corrupto (...) Qualquer agenda positiva e necessária é interrompida pela incessante divulgação de denúncias e mais denúncias. O país não pode parar indefinidamente, esperando para saber qual será a operação da Polícia Federal da próxima semana, como capítulos de uma novela interminável. O Brasil precisa voltar a crescer. As reformas importantíssimas têm de ser aprovadas. E mais: teremos eleições em 2018. Se você não gosta do político A, B ou C, não o reeleja. Vote em quem considera sério e honesto.

Para concluir, temos que acender uma luz de alerta. Como diziam nossos avós, ‘Devagar com o andor, porque o santo é de barro’ - o abuso de prisão por períodos longos sem ter havido julgamento do acusado e o exagero no uso da delação podem levar a um paradoxo em que o preso, desesperado, passa a ‘delatar’ o que o seu acusador quer ouvir, e não a verdade. E aí estaremos balançando o pêndulo em um perigoso movimento inverso: saindo de um Estado corrupto e agitado para um Estado totalitário e estagnado. Nem um nem outro é desejável”
, concluiu.
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