Repórter invadiu privacidade e explorou dor de familiares em matéria para o "Jornal Nacional"?

Por: Míria A. Santilli  04/12/2016, 12h15
Kíria Meurer, da RBS TV, afiliada da Globo em Santa Catarina

Na edição desta sábado (03), o "Jornal Nacional" exibiu uma matéria de 6 minutos da repórter Kíria Meurer, da RBS TV, afiliada da Globo em Santa Catarina, que registrava o trajeto dos familiares das vítimas do acidente com o avião da Chapecoense à caminho do aeroporto para o velório coletivo que se realizaria na Arena Condá, em Chapecó.

Gerando polêmica, o colunista do UOL Maurício Stycer publicou em seu blog que o "Jornal Nacional" "brindou o espectador com um momento de exploração grosseira do drama das famílias enlutadas" e descreveu a matéria como "invasão de privacidade".

Então... curiosa que sou e antes de julgar, fui checar. Procurei assistir a reportagem, já que não pude vê-la quando foi exibida no telejornal ontem.

Na reportagem, a jornalista diz que conseguiu um lugar no ônibus e que iria acompanhar os familiares. "A partir daqui, a nossa câmera, com o nosso cinegrafista, não pode gravar. Então vou gravando com o meu celular", explicou antes de embarcar.

Durante a viagem, com seu aparelho celular, Kíria filmou e conversou com enlutados e assim também fez no aeroporto e local do velório.

Como ela invadiu a privacidade dos familiares se o que ela fez não foi escondido? Todos ali viam que ela gravava com o celular e ainda respondiam suas perguntas. Outra coisa: ainda permitiram que ela entrasse no ônibus e filmasse, sabendo que Kíria era repórter. Já nas tendas do estádio onde ficavam os caixões e familiares, a repórter continuou fazendo registros e conversando com outras pessoas.

Se aquilo foi exploração da desgraça alheia, então não sei o que dizer das centenas de entrevistas com familiares, tristes imagens de pessoas chorando e demais barbaridades que tomaram conta da TV aberta durante esta semana. O "exploração" de Kíria foi nada perto do que vi nos últimos dias. Beijo para a RecordTV e RedeTV!

Sobre o Stycer, mais chato que os editores do Detona TV... foi sua opinião. Ninguém é obrigado a concordar. Aliás, a matéria do JN também dividiu as redes sociais.

E vai dizer que o público não queria saber como estavam os familiares naquele triste momento? Eu, por exemplo, estava aflita. Permitiram, a repórter foi lá e registrou, ora! Que minimini! 

Ah se todos os telejornais e policialescos cobrissem a tragédia como fez e com o mesmo tom do "Jornal Nacional"!
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