Record e IURD bombardeiam Globo no "Fala Que Eu te Escuto"

Por: Luan Costa e Silva, 01/11/2016, 03h00

Na madrugada desta terça-feira (01), quem acompanhou o programa "Fala Que Eu Te Escuto", sentiu o quanto a Record e a Igreja Universal são sinônimo do que é podre, hipócrita e diabólico.

O negócio já começa errado quando se mistura religião, TV e política. Não custa nada relembrar que a própria emissora e IURD é carne e unha do PRB, partido de Marcelo Crivella, bispo da igreja e sobrinho de Edir Macedo. Eis a fórmula imunda e obscura usada pelo líder da Universal e dono da Record para expandir e concretizar seu projeto de poder.

Nesta edição especial de ataque do programa religioso, que teve direito a uma ligação ao vivo para o novo prefeito do Rio, a Globo, em especial, foi bombardeada da maneira mais baixa, acusada, sem direito e oportunidade de defesa, de tentar manipular a população carioca nestas eleições que elegeram Marcelo Crivella prefeito no segundo turno. "Globo, Veja e UOL: por que não conseguiram vencer as eleições no Rio?", apontava o GC da Record.

Mas, quem é a Record e IURD para falar de manipulação? A matéria de capa do programa, por sinal, altamente tendenciosa e parcial, foi exibida à exaustão, se não perdi as contas, umas quatro ou cinco vezes. Nela, os bispos atiraram para todos os lados. Se os "inimigos" de Crivella tentaram manipular as eleições, como se pode chamar o que a Record promoveu nesta madrugada através do programa religioso? Lavagem?

Em parte da reportagem direcionada à concorrente, os bispos usaram como argumento uma matéria de teor político da jornalista brasileira Vanessa Barbara para o "The New York Times", que diz que a Globo "ilude o Brasil" e apelaram também para o velho e manjado fato da emissora ter interferido nas eleições de 1989. Até um texto independente contra Crivella, publicada numa coluna da "Folha", escrito pela atriz Fernanda Torres e as falas do jornalista Arnaldo Jabor, "agradecendo a burrice do carioca" ao eleger o sobrinho de Edir, foram exploradas pelo bispo e apresentador Márcio Carotti como uma forma de chegar à Globo. Aliás, tudo o que foi levantado pelo programa foi apresentado de forma superficial.

O público de casa que participou ao vivo pelo Skype, nitidamente foi selecionado a dedo pela Igreja com um discurso pronto. Pareciam fiéis e correligionários da denominação. Um deles se referiu a Globo como "Rede Esgoto", o termo soou combinado. Uma advogada, ao bradar vitória, fez um dos bispos sorrir pelo canto da boca. Outro participante aproveitou para dizer que a audiência da emissora carioca logo irá desabar.

Os comentários que foram extraídos do Instagram de Carotti passaram por uma limpa antes de serem lidos e exibidos ao vivo. Numa outra matéria, desta vez abordando pessoas nas ruas, a identificação dos entrevistados que defendiam a corja política/religiosa sequer aparecia na tela. Curioso é que nenhum entrevistado ou comentário lido esboçava alguma reação contrária as ideias que o programa defendia. Todos eles, simplesmente, se resumiam em atacar a Globo e aos outros veículos de comunicação em questão.

A fim de convencer o público que os bispos da Universal não usam de preconceito e fundamentalismo religioso, um funcionário homossexual da emissora, que trabalha por lá há 15 anos como maquiador, foi convocado ao programa para dizer que é bem vindo na empresa de Edir. Que ridículo!

No fim da edição, o bispo orou e pediu que Deus perdoasse "Arnaldo Jabor e todos os comandantes da Globo, que eles não sabem o que fazem".

Novamente: que caráter tem a Record/IURD para apontarem o dedo, sendo que elas próprias não fazem questão de esconder sua preferência política? A chamada do programa de hoje, demonstrando apoio sem reservas e nada camuflado à Crivella, foi veiculada sem o menor pudor durante os intervalos comerciais do canal.

Pela lógica, se realmente existisse o inferno, haveria espaço para todos os envolvidos: Globo, Veja, UOL..., mas a Record/IURD... ah sim, estas sim teriam um lugar garantido ao lado do capeta.

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