"Teleton 2016" perdeu o foco, beirou um festival de baixaria

Por: Marcia Andrade de Oliveira, 10/11/2016, 10h59
Patrícia Abravanel

Há quase vinte anos, o SBT promove uma verdadeira maratona da solidariedade na televisão aberta, em busca da manutenção e ampliação do atendimento dado pela AACD, o Teleton. Inspirada na iniciativa promovida pela TV americana, numa generosidade ímpar no país, Silvio Santos aconselhado por Hebe Camargo, desde 1998, cede vinte e quatro horas de sua programação para que o público conheça a instituição, as crianças atendidas, as famílias, os voluntários, os médicos, os fisioterapeutas; enfim, tudo o que diz respeito a essa nobre causa.

No entanto, este ano, creio que devido ao delírio ególatra ou mesmo a falta de noção da filha do dono da emissora, o Teleton por algumas horas tornou-se um verdadeiro festival de baixaria. Incentivar apresentadores que estavam completamente desconfortáveis a se beijarem para arrecadar mais dinheiro, poderia até ser engraçado, caso fosse no "Sabadão do Celso Portiolli", ou até um dos castigos promovidos pelos perdedores do Mestre Mandou.

Sem propósito algum (talvez tentando “aliviar” pro lado dela já que deu inúmeras declarações desastrosas sobre homossexuais), a filha do dono cismou que algum beijo gay deveria acontecer na sua presença no palco, ignorando, por vezes, as crianças presentes para contar as suas trajetórias e os desafios diários com o tratamento.

Sem falsa moral, acredito que para tudo há um momento, aquele não era. Além da arrecadação estar muito abaixo dos anos anteriores, o programa pecou em não mostrar a atual realidade da instituição. Diversas unidades estão fechando pelo país, voluntários deixando de contribuir com o projeto, médicos de alto gabarito sendo substituídos por outros inexperientes, além da imensa fila de espera de pacientes que conseguem atendimento apenas pelo SUS. Há um ano, os corredores da AACD estavam cheios de pacientes esperançosos, hoje quem for visitar as unidades verá a crescente diminuição do número de pacientes atendidos.

Infelizmente, o programa esqueceu de contar essa parte do cotidiano de quem convive com a AACD, de crianças que permanecem anos na fila esperando atendimento. Hoje a grande maioria que consegue algo é porque tem plano de saúde.

Como um dos próprios apresentadores, visivelmente coagido pelos delírios da rainha louca do SBT, enfatizou: Há outras formas de incentivar o pessoal a ligar. De fato, há muitas outras formas, diversas, incluindo o retrato nu e cru da realidade atual da instituição! Mas o único incentivo vislumbrado por uma mente rasa e absolutamente desnorteada, sem a mínima noção e respeito pela causa, era a promoção do festival do sapinho estimulado por apresentadores despreparados e mais preocupados em autopromoção.

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