Queda das muralhas de Jericó não enche os olhos

Cena de "A Terra Prometida" (Foto: Reprodução)
Por: Luan Costa e Silva, 18/10/2016, 00h04
Nesta segunda-feira (17), em "A Terra Prometida", dando continuidade às cenas do cerco, vistas no início da novela, as muralhas de Jericó começaram a cair. O momento marca a conquista do povo hebreu do território de Canaã, após a travessia do Rio Jordão.

Neste "capítulo especial" que se estende desde a última sexta-feira (14) e sabe-se lá Deus quando deve acabar, o povo de Israel, liderados por Josué (Sidney Sampaio), dá sete voltas na cidade e assiste às muralhas se esfarelarem por ajuda divina.

A gravação da sequência, dirigida por Alexandre Avancini, teve 50 cavalos, quase 300 figurantes por dia de filmagem, dezenas de atores envolvidos e 15 painéis de chroma key. E novamente, como nas outras vezes, a produção não encheu os olhos.

Confesso, não suporto mais esses capítulos especiais que a Record promove para tentar alavancar audiência. É tanto auê e quando entregam o grandioso clímax, junto vem a enrolação e decepção. Não entendo onde os internautas e fãs da novela encontram tantos adjetivos, tipo: "que capítulo incrível", "épico". Menos, gente!

Toda a "superprodução" não corresponde ao tamanho da gabança e divulgação por parte da emissora. Numa era em que o público está acostumado com efeitos especiais beirando o realismo, as produções da Record mais parecem aqueles filminhos de baixo orçamento da década de 80. Tudo é bem econômico, pobrezinho e fechado na tela.

O capítulo foi "tão épico" que a Record fez cair as muralhas e foi parar no topo dos assuntos mais comentados do Twitter, só não derrubou nem fez estrago no Ibope da Globo. A concorrente não sentiu o abalo como daquela vez quando Moisés abriu o Mar Vermelho (28 pontos).

A queda das muralhas só rendeu uma mixaria de 16,9 pontos de média e 18 de pico à Record, nos dados consolidados do Ibope da Grande São Paulo. A novata e vulnerável "A Lei do Amor" em nenhum momento foi parar no segundo lugar ou viu sua liderança ser ameaçada.

A audiência em tempo real do Ibope mostrava a Globo com 23,3 pontos, contra 16,6 da Record, às 21h39 (horário de Brasília). Às 21h53, a Globo tinha 24,6 pontos, contra 17,6 da Record. Neste momento, a Globo exibia a novela das nove. Seis minutos depois, quando as cenas da queda das muralhas eram exibidas, a Record chegou aos 18,4 pontos, enquanto a Globo somava 24,7.

Vale lembrar que a emissora dos bispos novamente tentou, sem sucesso, "parar o Brasil" com a "abertura da terra e morte de Corá" (19 pontos) na sequência de "Os Dez Mandamentos" e também com a "abertura do Rio Jordão" (17 pontos) na atual novela bíblica que mantém apenas 14,5 de média geral.

Para um capítulo tão especial como este das muralhas indo ao chão, a audiência foi bem morna. Sinal que o grande público não sente mais aquela empolgação somente para ver efeitos especiais em capítulos especiais das novelas bíblicas da Record. É mais do mesmo e fogo de palha. Inventa outra coisa para chamar atenção, Record! Já deu.


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