Em nota, Sindicato detona jornalismo do SBT

Por: Redação, 15/10/2016, 14h05
A entrada de Dudu Camargo, 18, no comando do "Primeiro Impacto", na última quarta-feira (12), tem causado o maior rebuliço.

Não foi apenas o público e profissionais do SBT que fecharam a cara para o garoto, o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo fez questão de deixar claro sua indignação diante da nova aposta de Silvio Santos.

Com o apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a entidade emitiu uma nota detonado a escalação do rapaz e a forma como Silvio Santos trata o jornalismo da casa.

Confira a nota na íntegra:

“SBT mais uma vez despreza jornalistas

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, com o apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), vem a público protestar contra a alteração ocorrida no telejornal “Primeiro Impacto” do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) que afastou as jornalistas Karyn Bravo e Joyce Ribeiro.

No feriado de quarta-feira, 12 de outubro, quando também se comemorou o Dia da Criança, a direção do SBT afastou da bancada do telejornal as duas jornalistas e as substituiu por Eduardo Camargo.

O “âncora”, de apenas 18 anos, atuava no programa “Fofocando” interpretando a personagem “Homem do Saco”, um comentarista que não mostrava o rosto, o qual permanecia encoberto por um saco de papel. Em seu currículo também consta a participação na novela “Revelação” e no programa “Domingo Legal”, no quadro “Lendas Urbanas”.

Vários jornalistas procuraram o Sindicato manifestando sua indignação. O protesto não se dá apenas pelo fato de a direção substituir duas experientes profissionais por uma única pessoa, o que tem se mostrado uma política usual das emissoras, fato que vem precarizando cada vez mais a profissão.

Tampouco o protesto se deu pelo fato de o novo apresentador não ser jornalista profissional. Prática que se tornou possível uma vez que a decisão desastrosa do ministro do STF (Supremo Tribuna Federal), Gilmar Mendes, considerou a necessidade de formação específica em jornalismo desnecessária para o exercício profissional. Tal decisão abriu virtualmente as portas da profissão para qualquer pessoa.

O que torna esta alteração ainda mais desastrosa para a profissão é que ela comprova, mais uma vez, que o jornalismo é visto como uma atividade marginal na emissora do Sr. Sílvio Santos.

Tratar o jornalismo como entretenimento e não informação criteriosa é um desserviço ao cidadão, um ataque à qualidade da informação e, mesmo, uma afronta à Constituição que estabelece como princípios que os meios de comunicação devem zelar pela sua função social e dar “preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas”.

As profissionais, que apresentavam o noticiário não foram demitidas, mas estão afastadas da função.

Casos como este demonstram o quanto é necessária a união dos jornalistas em defesa da profissão e da qualidade do trabalho jornalístico.”


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