"Justiça" foi de uma maestria fora de série

Por: Guilherme Diniz, 23/09/2016, 22h46

A televisão brasileira provou mais uma vez que pode oferecer um produto de real qualidade. Até aqui, "Justiça" firma-se como a maior sensação do ano e com louvor.

Nesta sexta-feira (23), chegou ao fim a minissérie da Globo, totalizando 20 episódios completamente enxutos, sem espaço para a famosa barriga.

O roteiro de Manuela Dias, a visão hábil e cinematográfica do diretor José Luiz Villamarim e a visceral atuação de todo o elenco fizeram de "Justiça" uma obra fora de série.

A minissérie, que tratou de temas atuais sem hipocrisia, ousou e saiu ilesa diante do público que não está habituado com uma linguagem diferente do comum. Intercalar histórias, tornar protagonistas em coadjuvantes e vice-versa, concluiu-se um risco e tanto. Um risco que valeu à pena. Cravou 26 pontos de média geral no Ibope. Um sucesso de público e crítica!

Dentre todo o elenco afiado, Adriana Esteves, Enrique Diaz, Leandra Leal, Jesuíta Barbosa, Débora Bloch, Jéssica Ellen e Luisa Arraes dispensam elogios. Explodiram intensidade, complexidade humana e realismo em suas interpretações.

Cabe destacar o cuidado que teve a produção e elenco com a prosódia, já que a história se passou em Recife. Sem exageros, boas entonações e bem ajustadas, como o T e o D secos e o "foi?" no final da frase.

Destaques negativos para o problema de som, às vezes impossível. A história de Cauã Reymond saiu meio que desencontrada nos entrelaces e cronologia do enredo. Sim, a obra tem lá outras derrapadas, mas não tira seu mérito.

"Justiça", em sua totalidade, é um produto acima da média, superior. Quem pôde acompanhar a minissérie do início ao fim, de finais imprevisíveis, ficará órfão e, certamente, não sentirá muita falta das novelas.

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