Uma pena que policialescos não entram na Classificação Indicativa

Por: Guiga Bates, 22/07/2016, 10h28
Marcelo Rezende, apresentador do "Cidade Alerta", na Record
A novela "Chamas da Vida", reprisada durante a semana no horário vespertino da Record, está na mira do Ministério da Justiça por conta do forte conteúdo.

De acordo com informações obtidas pelo site NaTelinha, nos últimos cinco meses, a emissora foi advertida duas vezes pelo MJ, nos meses de março e maio, por conteúdo inadequado para exibição à tarde. O departamento de Classificação Indicativa do Ministério da Justiça confirmou as advertências contra cenas de "violência, insinuação sexual, consumo de bebida ilícita e pedofilia" exibidas na novela.

Então...

De acordo com a Constituição Federal (art. 21, XII, “a”), a televisão é um veículo de comunicação social, um serviço público da União explorado por empresa privada, mediante concessão pública.

Desta forma, não é somente as novelas que precisam se enquadrar. O jornalismo televisivo também deveria subordinar-se a finalidade educativa e cultural.

Detalhe: no caso dos policialescos e Cia, por serem programas jornalísticos e exibidos ao vivo, eles não entram no sistema de Classificação Indicativa e podem, infelizmente, ser exibidos em qualquer horário. Tá explicado o motivo de passarem dos limites.

Uma parcela do material exibido nestes lixos jornalísticos ferem o capítulo V da Constituição ao violar direitos humanos e fazer apologia à violência. É preocupante. Tais programas e seus apresentadores são formadores de opinião. Vira o mexe, eles acabam, no furor do momento, incitando à violência e pondo a dignidade humana no nível mais baixo que o chão.

E a liberdade de imprensa e de expressão? O conteúdo da programação deve observar o que tá lá na Constituição, dentre eles o repúdio à violência. Nada contra a informação do tipo. Acontece que os policialescos se alimentam e banalizam a violência alheia, criando um senso de total impunidade e oferecem um cardápio de sangue ao telespectador, o que inclui crianças.

Certa vez, presenciei um destes programas exibir, no horário de almoço, um linchamento. Fiquei horrorizado com as sequências de imagens. Depois de apanhar feito um condenado, os populares ainda empurraram o suposto ladrão de cima de uma laje. Quase morto, a pancadaria continuou. E o apresentador tendo picos de orgasmos ao narrar as cenas. Pense aí!

Por exemplo, uma novela não pode exibir cenas violentas no período da tarde, mas o policialesco se sente a vontade com o mesmo tipo de conteúdo, com direito até a simulações e reportagens com riquezas de detalhes. Contraditório, não?

Apesar dos episódios desagradáveis envolvendo "grandes" jornalistas que exploram o mundo cão na televisão, parece que a União ainda continua com a boca aberta na hora de fiscalizar o conteúdo desses programas.

Se depender dos inúmeros programas popularescos espalhados por diversas afiliadas ao redor do país, o artigo 221 da Constituição Federal vai nadar na lama. É fato: pelas barbaridades e baixarias vistas diariamente na telinha através de policialescos sangrentos, nunca que há parcial ou total observância de princípios.

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