TV aberta é dominada por formatos enlatados e produtoras

Por: Guiga Bates, 10/07/2016

Nunca a TV brasileira, do segmento aberto, apostou tanto em formatos internacionais. Em todas as atuais programações das grandes emissoras do país há "enlatados". Em predominância, os realities de todos os tipos e sabores.

No Brasil, não há tradição em criar. E quando arriscam, barram na limitação. Curioso é que, enquanto se vende novelas mundo afora, geralmente ninguém quer comprar outros formatos fabricados por aqui. Justamente pela escassez e má qualidade. A TV brasileira deve e muito em originalidade.

A teledramaturgia pode ser potente, mas se tratando da criação de gêneros de entretenimento... uma derrota. A falta de investimento em outros setores e dependência das telenovelas expõe a vergonhosa incompetência de nossa TV. 

A situação é tão crítica que até os produtos considerados originais, como programas de auditórios, são dominados por quadros estrangeiros, adaptados da pior forma na tentativa de fazer sucesso e dar uma identidade nacional ao formato. E quando lançam algo novo, se trata apenas de uma releitura ou cópia descarada e disfarçada de outros quadros da concorrência.

Uma solução para acabar com a má fama seria investir em profissionais capazes. Será possível que não exista gente apta para desenvolver produtos originais e diversificados, até melhor do que formatos estrangeiros? Bom, a Globo pensou nisso e um pouco mais, além da compra e exibição dos formatos.

Em 2001, a Globo e a holandesa Endemol criaram uma "joint venture" chamada Endemol Globo, para a criação de programas ou apenas quadros, a ser inclusos em atrações do canal e que podem ser vendidos para outros países. Além disso, tem a Endemol Brasil que negocia com outras emissoras nacionais.

Onde entra as produtoras...

E as outras emissoras? Simplesmente, por um caminho mais fácil ou falta de capacidade, produzem os formatos ancoradas na terceirização e parcerias. Record, SBT e Band, por exemplo, estão depositando tudo em produtoras do segmento audiovisual brasileiro e internacional.

O caso mais emblemático aconteceu com o RecNov. Sem forças para tocar a Teledramaturgia, a Record arrendou o complexo e terceirizou para a Casablanca o processo de novelas, séries...

Neste caminho, a TV aberta segue expandindo a presença de produções realizadas em parceria com produtoras.

O "Power Couple Brasil" foi produzido e exibido pela Record em parceria com a Dori Media. O atual "Batalha dos Cozinheiros", também exibido na emissora dos bispos, é produzido pela Discovery Networks e Cakehouse Media, produtora de Buddy Valastro.

Na Band, o "MasterChef Brasil" está sendo produzido pela Eyeworks. "A Liga" e "Polícia 24h" são de programas criados pela produtora argentina Eyeworks-Cuatro Cabezas. A nova aposta, o "X Factor" é uma produção entre o canal, TNT e FremantleMedia. 

Já o "Bake Off Brasil" é resultado de uma parceria entre Discovery e SBT, produzido pela Cygnus Media. "A Garota da Moto", que estreia neste mês na emissora de Silvio Santos, conta com produção e parceria com o canal pago Fox e a produtora Mixer.

Neste segmento há modelos como o financiamento por recursos da emissora, a coprodução com emissoras (onde canal e produtora dividem os custos), o mix de verba privada e pública (a produtora participa de editais da Ancine, do Ministério da Cultura e busca incentivos fiscais como a Lei Rouanet) e a solicitação de recursos públicos.

Não importa como, mas deu certo aos olhos do telespectador? Sim e como deu! Além do lucro, custos e riscos menores para as emissoras, a qualidade dos formatos supracitados é superior. No fim, o público é presenteado. A ideia é essa: aproveitar a capacidade criativa da indústria independente.

A verdade é que quase tudo em termos de programas de entretenimento que você vê na TV brasileira é copiado ou inspirado lá fora. Chacrinha emocionado. Em pensar que, de vez em quando, alguns diretores, tão caras de pau, ainda tem coragem de acusar um concorrente por plágio, quando seu programa também não passa de uma cópia.

Por mais que denote incompetência criativa e acomodação, comprar formatos estrangeiros e investir no mercado de produtores independentes, em parte, pode ser a salvação da TV. Pelos menos, aos cuidados de produtoras eficientes, a qualidade estará garantida. 

Em tempo:

Nem toda parceria com uma produtora é sinal de um bom produto. "Gugu" (GGP) e "Os Dez Mandamentos - Parte 02", (Casablanca) e "Xuxa Meneghel" (Cygnus), são puro lixo.

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