Programas da Record variam entre futilidades e jornalismo de primeira

Por: Guiga Bates, 30/07/2016, 14h17
Marcos Oliver foi destaque na edição do "Câmera Record" na quinta (21)
Sempre tentei entender o que acontece com o "Câmera Record" e "Repórter em Ação", jornalísticos exibidos às quintas e aos domingos na emissora dos bispos, respectivamente.

É sempre assim: passam uma ou duas semanas exibindo pauta-lixo e daí, quando o telespectador menos espera, o canal dá um show de jornalismo e informação. O fenômeno é evidente pelas últimas edições de ambos programas.

Na edição desta última quinta (28), o "Câmera Record", que sempre meto o pau por aqui, me deixou travado em frente a TV por conta de uma reportagem-denúncia sobre a exploração do trabalho de adultos e crianças numa comunidade pobre na zona rural de João Câmara, RN. Incrível!

"Câmera Record" denunciou a exploração de crianças
castanheiras no RN, na edição de quinta (28)
Demorei para acreditar que tiveram a capacidade de produzir um material tão nível. Seria injusto não levaram um prêmio pela reportagem. Vale lembrar que a equipe do "Câmera Record" geralmente exibe lixo na tela.

Então...

Na edição anterior, o mesmo jornalístico focou em Marcos Oliver, ex-fazendeiro e ex-ator pornô. Uma semana antes desta futilidade, o programa comandado por Marcos Hummel, mostrou como vivem as vovós do crime. Olha aí! Outra bela edição.

No domingo, o "Repórter em Ação" segue a mesma linha. Nas duas últimas edições, o jornalístico apresentado por Celso Freitas, tratou de histórias de superação (ex-vocalista do Katinguelê, Mulher Fruta-Pão e Pablo do arrocha) e, vergonhosamente, levaram ao ar um programa inteiro dedicado a bichos engraçadinhos, com narração de Paulo Henrique Amorim.

Este último, que me deixou passado, escancara a escassez de conteúdo que sofre o departamento de jornalismo da Record. É muito programa do gênero no canal. Daqui uns dias, vão precisar fazer como o SBT, mendigar e pagar por pauta realmente interessante.

Antes de toda essa bagaceira citada, no domingo (10), o mesmo programa exibiu um excelente trabalho sobre moradores que vivem em condições subumanas nos buracos e viadutos da cidade de São Paulo.
Mulher Fruta-Pão pesou até 238 kg

Fica claro que os dois programas não tem identidade e, ao mesmo tempo, são idênticos, com uma leve diferença notada somente pelo rótulo. Não há definição de qual seria o foco. Celebridades, fofocas, polêmicas, saúde, policial, investigativo, zoo? Jornalismo sério ou banal?

É notável que semanalmente os mesmos vão alternando as pautas. Tipo: esta semana um programa exibirá futilidade, enquanto o outro exibirá material de peso. E assim por diante.

Este bagunçado padrão é explicado pela mesma equipe, como o Pablo Toledo (editor-chefe) e o Rafael Gomide (chefe de redação), responsáveis pelo "Câmera Record" e "Repórter em Ação". 

A Record tem potencial de produzir jornalismo de primeira. Se apenas os diretores evitassem a banalização de seu maior trunfo, cortando o excesso e apelando menos, quem sabe, em sua totalidade, o jornalismo da emissora seria levado a sério. Mas, do que jeito que está, complicado.

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