"A Garota da Moto" vale pelo esforço do SBT

Por: Guiga Bates, 14/07/2016

Nesta quarta-feira (13), a emissora de Silvio Santos estreou a série "A Garota da Moto", em parceria com a Fox Brasil e juntamente com a produtora Mixer.

Qualquer coisa que não tenha uma pirralhada protagonizando uma produção na dramaturgia do SBT, de cara, vale a pena arriscar em assistir. É quase inacreditável sintonizar no horário nobre do canal e se deparar com um programa do gênero direcionado ao público adulto. Alguém me belisca, acho que estou sonhado.

Um imenso progresso. Espera-se que a obra renda bons números de audiência e empolgue a emissora a produzir mais no ramo, quem sabe, ousando uma possível independência do eixo infantil.

A série é protagonizada eficazmente por Christiana Ubach, que interpreta Joana, mãe de Nico (Enzo Barone), de 8 anos, fruto de um relacionamento com um milionário casado, que acaba morrendo. Perseguida pela viúva do homem, Joana acaba se mudando do Rio para São Paulo. A vilã, super caricata, na pele de Daniela Escobar, não admite dividir a herança.

No capítulo de estreia, a série começa se explicando, com as personagens principais dialogando com o público e introduzindo a história, como se o pessoal de casa fosse burro a ponto de não entender a costura. Irritante.

O texto é assinado, ou melhor, quase assassinado por Tiago Santiago. Confesso que tenho aversão aos trabalhos do autor, desde a traumatizante bomba "Prova de Amor", na Record. O texto não é bom, mas não desgraça o resultado final. Não entendi a parte cômica da série, não colou.

A direção madura de João Daniel Tikhomiroff é, sem dúvidas, o maior acerto. As cenas de ação são bem trabalhadas. A cenografia e fotografia também merecem elogios. Em nada lembra outras produções do canal, como em "Cúmplices de Um Resgate", em que tudo é fake.

De olho no episódio de estreia, aparentemente, não se trata de uma grandiosa série, de elenco estelar e trama tão envolvente. Não é uma coisa que se diga: "minha nossa!". Mas tá valendo o esforço do SBT em sair da maldita zona conforto. Se a parceria fez bem? Ah, se fez! Multiplica, Senhor Abravanel!
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