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Primeiro capítulo de "Escrava Mãe" desempolga pela correria

quarta-feira, 1 de junho de 2016
Por: Guiga Bates, 1/06/2016
"Escrava Mãe" estreou no novo horário de novelas da Record, às 19h30
Nesta terça-feira (31), depois de uma verdadeira novela, a Record estreou "Escrava Mãe". Na emissora dos bispos, é a segunda adaptação livre da obra clássica “A Escrava Isaura”. A produção é escrita por Gustavo Reiz, dirigida por Ivan Zettel, produzida e terceirizada pela Casablanca.

A obra quer contar a história da mãe da famosa Isaura. Contar o que, gente? Só a Record mesmo!

Neste primeiro capítulo, "Escrava Mãe" estava indo muito bem lá na "África". A produção se mostrou caprichada na reprodução de uma aldeia africana. Me encheu os olhos a caracterização e fundo musical. De arrepiar. Só me estranhou o chefe da aldeia ser menos negro do que o normal e a linguagem ou dialeto africano soar perfeito no português. Ouvi fortíssimo sotaque brasileiro. Fora isso, show! O 4K ou Ultra HD nem se fala, proporcionou belíssimas imagens. Logo no início, coisa de cinema.

No entanto, as produções da Record sempre pecam pela pobreza de figurantes nas cenas que envolvem e exigem aglomeração. Lembram do exército de Faraó? Como meia dúzia de homens conseguiria domar uma aldeia inteira? Homens de tribos africanas eram guerreiros, creio que não era tão fácil por a mão neles. "Cheguei! Perdeu, playboy". Ah vá!

Lá vai uma dúzia (novamente a pobreza de figurantes) de negros sendo enfiados no navio negreiro, entre eles, a vovó de Isaura, interpretada pela ex-Globeleza Nayara Justino.

E novamente a Record economiza. Das terras africanas, viagem de navio até chegar ao Brasil, tudo corre muito rápido. Piscou os olhos, chegou! Pra que a pressa? Estava tão gostoso a sequência do navio, faltou explorar a sombria travessia pelo Atlântico. Pela riqueza histórica e detalhes, creio que o telespectador não se importaria em passar quase um capítulo inteiro lá na África ou dentro de um navio negreiro. Pelo menos, para a estreia, é o que as chamadas da Record deram a entender

O capítulo correu. Em terras brasileiras, a mãe da mãe de Isaura, depois de estuprada pelo mercador de escravos durante a viagem, já aparece de barrigão perto de parir. A vantagem da correria é que Neuza Borges, amiga dos escravos, só aparece em duas ou três cenas e logo depois leva um tiro e morre. Imagine ter que aguentá-la a novela inteira? Glória Perez te aguarda.

A recém-nascida é salva, entregue a uma família branca e no outro dia, a mãe de Isaura, Juliana, já está graúda com seus 18 anos. Olha novamente a correria. Nem sequer um pouco da infância e relacionamento com as duas coleguinhas de criação para criar aquele clima, umas delas se tornaria a vilã, Maria Isabel (Thais Fersoza).

O autor preferiu adiantar e revelar, através de Tia Joaquina (Zezé Motta) a origem do nascimento à personagem principal. Se Gustavo Reiz pensasse direito, a busca de Juliana por respostas sobre seu passado, daria uma boa carga e situações interessantes no decorrer da trama. Mas...

O casal protagonista, (Juliana) Gabriela Moreyra e (Miguel) Pedro Carvalho, o gordinho malhado de barriga tanquinho, se conhecem à beira de um rio, trocam olhares, se apaixonam e tchau. A química deve ter ido correnteza abaixo. Que encontro mais sem graça, nada arrebatador. O sotaque e língua do ator português vai dar trabalho ao público da Record que não é muito dotado de esperteza.

Se na África a trama deu uma arrancada empolgante, na vila de São Salvador, tudo desanda. Um desânimo. Inúmeros personagens foram entregues de primeira. Me pergunte quem é quem e só saberei apontar o nome de alguns gatos pingados. Seis meses pela frente e Zettel entope o primeiro capítulo com o elenco inteiro. Não sei pra quê! Perdi a empolgação que tive logo no início do capítulo. Deu sono e vontade de mudar para a estreia de "Haja Coração", lá na Globo.

Tem mais

Impressão minha ou Luiza Tomé repete o papel de Rosa Palmeirão em “Porto dos Milagres”(2001), de Aguinaldo Silva? O que faz o "paquito" da Xuxa ali, coitado? Alguém me explica o que a dupla Bruno e Marrone fez com bela "Como vai você"?

Sem querer comparar, o que é impossível... sobre as atuações, garanto que a situação não está tão caótica como em "Os Dez Mandamentos". O texto de Gustavo Reiz, apesar do didatismo inicial, é um avanço em comparação a porcaria épica de Vivian de Oliveira, o que favorece o elenco, dos novatos aos experientes.

A recriação do cenário de época também não deixa a desejar. O que me incomoda é a mania dos ambientes cenográficos das novelas da Record serem tão iluminados, acabadinhos, limpinhos e organizados. Soa artificial. A abertura, sem comentários, linda! Globo deveria dar uma olhada.

Queria tanto comparar "Escrava Mãe" com "Liberdade, Liberdade", da Globo, mas seria covardia. É por que a temática é parecida. Tá, parei! 

"Escrava Mãe", a julgar pelo primeiro capítulo, será apenas uma novela mediana do tipo que não terá muito a oferecer do que o básico folhetinesco de sempre ao relação ao gênero. Mistério, intrigas, vilania, romance, comédia, escravos, combate ao preconceito e um pouco de história. Uma obra escorada no título de um grande sucesso da Globo e em outro sucesso-relâmpago da Record. Pode se transformar num sucesso de audiência segundo os padrões do canal? Pode! É do tradicional que o povo gosta. "Escrava" tem os ingredientes.

A vantagem é que a Record ofereceu mais uma opção para o telespectador noveleiro. O problema é que se a novela não engrenar em audiência, a emissora dos bispos estará em maus lençóis. Perigo lançar uma novela totalmente fechada. 

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