“Haja Coração” tenta, mas não se livra da cara de mofo

Por: Júlio Henrique, 04/06/2016
Tatá Werneck interpreta Fedora

Estou assistindo “Haja Coração” um pouco atrasada pelo Globo Play. Confesso que gostei, apesar do texto ruim e do excesso de barracos e choradeira da personagem Francesca (Marisa Orth).

Dentre as minhas percepções, a que mais me surpreendeu foi o texto de Daniel Ortiz, que melhorou bastante desde a insossa e genérica “Alto Astral”. Mas com ressalvas, principalmente nas cenas onde os personagens “explicavam” para o telespectador suas histórias e problemas, tudo soava didático demais, ou então datado.

Uma boa surpresa foi o texto da personagem Leonora (Ellen Roche) que ficou muito bem atualizado, irreverente e engraçado. A personagem ex-BBB arrancou boas gargalhadas. Já o texto da personagem Penélope (Carolina Ferraz) e de outros, parece que não sofreu atualização.

Muitas cenas de barraco, sotaques forçados dão o ar de mofo que a produção tem. A direção encheu a trama de sucessos estourados, o que não funcionou. As músicas não casam com as histórias.

O pior núcleo da trama, pasmem, é o núcleo central. Mariana Ximenes não convence como Tancinha. O humor pastelão não dá certo na história principal da novela. Quem sabe melhore quando a protagonista começar a busca pelo pai. Espero que não seja como a procura de Laura (Nathalia Dill) em “Alto Astral”, que enchia a paciência do público.

Os outros núcleos são muito bons, e poderiam facilmente funcionar como história central. O núcleo de Aparício (Alexandre Borges) e Fedora (Tatá Werneck) e a busca de Rebeca (Malu Mader), Leonora (Ellen Roche) e Penélope (Carolina Ferraz) por um milionário, são histórias sensacionais. Até mesmo a história de Giovanni (Jayme Matarazzo) e Bruna (Fernanda Vasconcellos) é muita boa, estou shipando esse casal.

No geral, autor e direção tentaram fugir, mas a novela acabou ficando com cara de mofo.
Tecnologia do Blogger.