Diretor afunda clímax de "Os Dez Mandamentos"

Por: Guiga Bates, 21/06/2016
Corá (Vitor Hugo)
Assistir uma novela com a direção de Alexandre Avancini requer muita paciência e perseverança. O diretor brinca com a boa vontade do telespectador com cenas, diálogos e demais desnecessidades inclusas. Arte amadora. Vícios que o persegue desde a horrorosa trilogia "Os Mutantes". Conduzindo a saga dos hebreus, não é diferente.

O capítulo mais esperado da segunda temporada de "Os Dez Mandamentos" saiu nesta terça-feira (21). A terra se abriu. Até lá tive que respirar fundo para suportar tanta enrolação num capítulo só! A sensação é que iria demorar mais que todas as 10 pragas do Egito.

A novela começou pontualmente às 20h40 após o horário político. O clímax do capítulo se deu quase 50 minutos depois, nos minutos finais. Muito conversa fiada e intervalos comerciais testaram até a longanimidade do Poderoso para abrir o maldito chão.

No capítulo, Corá e seu grupo de rebeldes seguem desafiando Moisés e provocando a ira de Deus. Moisés intercede a Deus para que uma resposta aconteça imediatamente e que dê um fim à divisão do povo. A resposta divina é com a abertura da terra.

O chão começa a tremer e os hebreus correm apavorados. Uma fenda começa a se abrir até chegar aos pés de Datã, Abirão e Corá e suas esposas. Os demais 250 rebeldes vão sendo engolidos pela terra.

Foram pelo menos 15 dias dias de gravação em estúdio e na cidade cenográfica, com efeitos mecânicos e de computação gráfica. Ao contrário da abertura do Mar Vermelho, na primeira temporada, todos os efeitos foram feitos no Brasil, numa parceria com a produtora Casablanca. Resultado? Tudo pessimamente dirigido, típico de uma produção da Record. Uma pobreza! Esperar o quê, né?

Os figurantes e elenco estavam perdidos ao dividir a cena com efeitos especiais. Não há ninguém capaz de preparar esse povo? Se repetiu o mesmo pecado da temporada anterior. Avancini se preocupou tanto com a pirotecnia do capítulo que se esqueceu de ajustar o elenco. E que elenco ruim!

A esperada sequência passou sem diálogo. Faltou emoção. Um desperdício matar casais e nem sequer um olhar, um adeus, uma expressão... nada! Os esculhambados enquadramentos na cara dos atores se mostrou inútil.

A pior sacada clichê do vilão: Corá empurra sua esposa enquanto estavam pendurados, não entendi. Qual motivo? Sem nexo! O grande vilão da temporada se despediu sem causar impacto!

O mesmo instrumental vagabundo e irritante de sempre, utilizado desde o Egito, embalou as cenas e ofuscou os pouquíssimos gritos que serviriam para dar realismo ao momento de tensão. Sem condições de escutar aquele fundo musical ensurdecedor por mais de 10 minutos ininterruptos. Fui obrigado a diminuir o volume da TV.

Avancini optou por uma sequência completamente em câmera lenta para tentar, sem sucesso, disfarçar a pobreza da produção e efeitos especiais. A terra se abrindo, uma piada. Tudo igual e repetitivo com erros de continuidade, seguindo um padrão de filmagem num set tão limitado. Afundaram em areia movediça misturada com feno e vermiculita. Cair onde, se não havia profundidade? Onde havia, estava escuro e falso. Faltou criatividade em dirigir as quedas. Broxante a sequência da queda de um paredão de 10 metros de altura com atores e dublês içados por cabos.

Ao que parece, o diretor tratou de afundar um por um dos 250 homens. Que cansaço! Não aguentava mais as mesmas quedas e tomadas. Algumas cenas foram repetidas. Senti déjà vu.

Para completar, a nuvem de fogo (único elemento que se salva, mas inverossímil) sobre o tabernáculo começa a se agitar e crescer. Ela mata os revoltosos que tentam correr. Só vi gente e areia voando pelos ares. Idêntico a praga da saraivada na terra do Faraó.

Como todos os outros, apenas um capítulo decepcionante nas mãos de um diretor fraco com pinta faraônica. Destruiu mais um momento bíblico grandioso.

Se o Poderoso levasse em conta as porcarias que os bispos produzem em cima da Bíblia, quem já teria afundado nas profundezas seria a Record.

A Record precisa baixar a bola. Criam tanta expectativa e no fim entrega um produto meia-boca e medíocre, dessa vez, pior que os efeitos e direção da primeira temporada. Pelo menos, a merda foi engolida e enterrada. Que o Avancini destrua os muros de Jericó!

Em tempo:

Diferente do Mar Vermelho, a morte de Corá nem abalou as estruturas da Globo. O folhetim fechou apenas com recorde de 19 pontos de média e 21 de pico, segundo dados preliminares da Grande São Paulo. Na mesma faixa horária, a Globo marcou 25.5 pontos com o “Jornal Nacional” e “Velho Chico”, já o SBT, registrou 11 pontos com “Cúmplices de Um Resgate” e “Carrossel”.

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