Autores acham que o telespectador é burro

Por: Júlio Henrique, 25/06/2016
Sandra (Flávia Alessandra) e Araújo (Flávio Tolezani), de "Eta Mundo Bom!". (Foto: Reprodução)

Se existe uma desculpa que não desce é de que “novela não tem obrigação com a realidade”. Não deixa de ser uma verdade. Contudo, por obrigação, a novela tem que criar uma fantasia que pareça real.

Quem é muito adepta aos chamados “ voos” é Gloria Perez. Quem não se lembra quando Morena (Nanda Costa) foi capaz de desarticular uma máfia de trafico humano em "Salve Jorge"?

Walcyr Carrasco e Daniel Ortiz, dois autores, de sucesso popular, de novelas previsíveis, de texto didático e fraco, nos presentearam com situações difíceis de engolir.

Em “Haja Coração”, a personagem Camila (Ágatha Moreira) sofreu um acidente e passou de uma menina mimada, arrogante e vilã Diva a mocinha songamonga e pessoa do bem. Oi? Sem falar da memória mutante da personagem que de repente se lembrou que Leozinho (Gabriel Godoy) era um bandido.

Em “Eta Mundo Bom!”, o incorruptível Dr. Araújo (Flávio Tolezani) estava precisando de dinheiro para operação do filho, e em vez de pedir para a ricaça Anastácia (Eliane Gardini), arma um plano junto com a vilã Diva e Loura Sandra (Flávia Alessandra) para roubar o dinheiro deixando a mulher que sempre o ajudou na miséria. Oi?

Sinceramente, mesmo que esse tipo de artimanha seja muito importante para o desenvolvimento e agilidade das tramas, vale a pena? Não estamos mais na década de 70, a novela é um gênero que deve evoluir.

E não é de hoje que esses dois senhores abusam desse tipo de reviravolta. Na sonífera “Alto Astral”, a personagem Liz (Débora Rebecchi) se dizia amiga da gordinha Bia (Raquel Fabbri). Do nada, em vez de contar a verdade para Israel (Kayky Brito) sobre o engano das identidades, ela vira vilã.

Outro exemplo nas tramas do Walcyr é o personagem Ninho (Juliano Cazarré), de "Amor à Vida", que não tinha a mínima função na trama e perambulou por ela, de mocinho rebelde, pai protetor a vilão.

Tanto Walcyr quanto Ortiz acham o telespectador é burro, mudando a personalidade dos personagens a favor do enredo e de qualquer jeito.
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