Imprensa e famosos estão encurralados

Por: Guiga Bates, 13/05/2016

Não tem como se orgulhar de fazer parte de uma raça, sem querer generalizar, que apela para agressão, censura e coitadismo ou vitimismo toda vez que se sentem contrariados. Me sinto envergonhado.

Nos últimos tempos, imprensa e famosos estão como que encurralados por uma patrulha de mente fechada e arcaica que a todo custo tenta impor uma forma de censura. Em pensar que lutaram tanto contra a ela...

Por pouca coisa são taxados de homofóbicos, racistas e no caso dos profissionais da imprensa, é só serem vistos com um microfone na mão no meio de uma manifestação, que podem correr o risco de serem linchados e se não correrem, até mortos. Triste ver esses trabalhadores acuados cobrindo de longe, disfarçados ou em cima de um prédio, quando o prazer da profissão está em chegar perto da notícia ou fato.

Nesta semana, Patrícia Abravanel e Otaviano Costa pagaram por "falar de mais". Danilo Gentili foi acusado de racismo ao criticar a senadora Regina Sousa, do PT do Piauí, chamando-a de “Tia do Café” no Twitter. Jornalistas, como Zileide Silva, sofreram agressões quando tentavam impedir seu trabalho. Também, a Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) prepara um processo judicial contra o SBT, por que a filha de Silvio Santos, no mesmo episódio da "homofobia", disse que “a gente fica muito miserável quando não acredita em Deus”.

A atitude de impor suas convicções a todo custo, quer seja no âmbito religioso, político ou social é perigoso. Quebra o outro lado, o direito de qualquer indivíduo de manifestar opiniões, ideias e pensamentos livremente. Agravante é quando partem para agressões absurdas, quer verbal ou física.

É como diz lá o artigo XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos:

"Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras".

Aqui, tem gente, uma massa de gente, que prefere desconhecer esse direito.

Na atual Constituição Federal de 1988, várias inovações foram conferidas em relação a liberdade de manifestação do pensamento, dando maior amplitude aos direitos e garantias individuais. Em todas as suas formas, a liberdade de expressão é um direito fundamental e intransferível, inerente a todas a pessoas, e um requisito para a existência de uma sociedade democrática.

A divergência de ideias e o direito de expressar opiniões não podem ser restringidos para que a verdadeira democracia possa ser vivenciada. 

É bom salientar que a liberdade de expressão não é um direito absoluto, o que significa que a manifestação pode partir para a calúnia, difamação ou injúria, o que pode originar um processo ou resposta em reação à declaração feita.

Sobre o caso da imprensa e jornalistas, é tão contraditório. Dilma defende sua cadeira lambendo o termo "direito democrático", enquanto lá nas ruas, seus militantes impedem e massacram quem tenta exercer tal direito. A Globo se transformou num bode expiatório diante dos olhos dos 54 milhões que votaram no PT, como se a emissora fosse a idealizadora do "Lava Jato", responsável pelos votos de admissibilidade do processo de impeachment e fechasse o espaço para a defesa da presidente em seus telejornais.

A TV também tem sido vigiada pela turma chata do politicamente correto. Há poucos dias, a Globo foi processada por exibir uma esponja black power no "Big Brother Brasil 16". Essa turminha infeliz, na espreita das redes sociais, estão prontas para captar qualquer indício de aparente ofensa ou ideia considerada "anormal" e causar um terremoto. As ONGs agradecem. Pior são aqueles que os seguem, sem nem sequer analisar os fatos, na chamada modinha. Esse povo sofre de uma doença chamada vitimismo, em que se acham punidas com qualquer coisa ou assunto.

Quem alcançou a época dos "Trapalhões", considere-se feliz. Nos tempos atuais, não duraria uma semana. Falando em humor, os poucos humoristas que se arriscaram a ultrapassar o limite do politicamente correto na televisão aberta tiveram que se explicar na justiça. Sem entrar no mérito da questão, o caso mais emblemático é o do humorista e apresentador de televisão Rafinha Bastos.

Em tempo:

Num outro post publicado neste site, mencionei que foi bom "taparam" a boca da Rachel Sheherazade, do "SBT Brasil". Até fui mal interpretado. Apesar de não concordar com muitas de suas ideias e dela ser uma chata, não fui contra sua liberdade. Fiz referência ao modelo do programa jornalístico do SBT. 

Particularmente não me agrada o fato dela sozinha tentar impor seus argumentos num programa jornalístico. Se o telejornal abria espaço para opiniões da Rachel, não seria mais produtivo e justo uma outra para confrontá-la?  

No caso específico, sou a favor de uma roda de opiniões como acontece em outros telejornais quando abrem espaço para debates, não apenas uma pessoa como se esta fosse a dona da verdade, sem dar chance para o outro lado da questão. E sabemos qual fácil é jornalista formar opinião, né? Ainda mais se tratando do jeitinho e tom de voz da Sheherazade. 
Tecnologia do Blogger.