Assistir "Hora do Faro" requer um anti-depressivo

Por: Guiga Bates, 01/05/2016
Rodrigo Faro quando pela primeira vez se encontrou e "ajudou" Loemy
É impressionante a quantidade de pauta envolvendo sofrimento humano no dominical "Hora do Faro", da Record. O telespectador que passa quatros horas acompanhando o programa, no mínimo deve precisar de um anti-depressivo. É deprimente, é pra acabar com sua tarde de domingo.

Rodrigo Faro se justifica ao dizer que apenas quer contar histórias de superação. Pelo contrário, ele explora cada história a fim de fazer merchan dos patrocinadores e anunciantes que bancam todos os gastos com a "nova vida" ou "volta por cima" do participante, além de lucrar horrores. Faro se tornou um dos piores apresentadores da Record e da TV brasileira neste quesito. Gugu, referência no ramo, virou um nada perto dele.

Neste domingo (01), fiquei abismado com o excesso de carga negativa envolvendo cada história. É claro que os três casos exibidos no programa acabaram bem. No entanto, foi preciso contar detalhe por detalhe de cada desgraça da vida das três mulheres envolvidas.

No último quadro "Roda da Vida", Faro convida a jornalista e apresentadora do "Fala Brasil", Roberta Piza, e o ex-global Kadu Moliterno para participar de um jogo. O jogo envolvia advinhar qual era profissão de uma senhora a medida que ela soltava informações ao ser entrevista pelo apresentador, ao mesmo tempo sua vida era exposta no telão. Até para fazer um game Faro precisou explorar a anterior vida sofrida da mulher até sair o caldo. O apresentador fez questão de destacar o tamanho do sofrimento que a Vilma teve que passar: nasceu pobre, espancada pelo marido, morou na rua, virou alcoólatra e viu o filho ser assassinado. "É até difícil acreditar que Vilma conseguiu dar a volta por cima depois de tanto sofrimento", repetia Faro.

Em outro momento, os filhos da sofrida Liomar (catadora de lixo), depois dela ter passado por uma transformação, tiveram que aceitar um desafio de dançar para poder ajudar a mãe a mudar de vida. No fim, Faro exibiu somente para os filhos um pequeno caminhão que ganhariam de presente. Tentou de tudo para arrancar uma cara de surpresa dos garotos que ficaram somente calados. Depois, conduziu a mulher de olhos fechados para tocar no presente na tentativa de extrair lágrimas. E consegiu. Enquanto a mulher se ajoelhou no chão a chorar, Faro a deixou. Imeditamente começa a anunciar todos os benefícios de ser ter um veiculo daquele e dispara o nome da empresa que "ajudou" a Liomar.

O outro caso envolvia uma ex-modelo e ex-usuária de crack que deu a volta por cima. Nem vou contar o caso para não deprimir o leitor.

O fato é: o "Hora do Faro" se resume somente a isso. Não tem mais nada. Não há elegria e diversão. Apenas tristeza e "emoção". Os quadros do programa, quase todos, só focam em histórias de superação + assistencialismo + sensacionalismo. É agonizante.

Em entrevista à Folha, Faro descartou fazer sensacionalismo em seu programa apenas para aumentar a audiência.

"Tem história alegre e triste. Nem todas tem final feliz. A diferença é a maneira de contar, mostramos o lado otimista. Não buscamos nem apelo nem sensacionalismo. Ter programa no domingo é também formar opinião, motivar, dar exemplo", declarou.



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