"The Guardian" acusa Grupo Globo de promover golpe

Por: Vitor Nobre, 30/04/2016

Na quinta (21), o jornalista David Miranda publicou através do jornal britânico “The Guardian”, o artigo intitulado “The real reason Dilma Rousseff’s enimies want her impeached” ou “os verdadeiros motivos pelos quais os inimigos de Dilma Rousseff querem seu impeachment”, em tradução livre. Na publicação, o jornalista citou o Grupo Globo. O conglomerado foi acusado de incitar manifestações contra o governo e influenciar o suposto golpe que está em curso no Brasil.


Após pedir uma nova publicação onde pudesse se explicar, através de João Roberto Marinho, vice presidente da empresa, o Grupo Globo disse em algumas palavras que a emissora se posiciona neutramente, e que não tem nenhum interesse pessoal no impeachment, a não ser informar, e continuará fazendo, não importa quem seja afetado.

Apesar do que alguns sites de fofoca afirmam, o "The Guardian" cedeu sim o direito de resposta (dia 24) ao Grupo Globo, que você pode conferir a seguir:


“O artigo de David Miranda (os verdadeiros motivos pelos quais os inimigos de Dilma Rousseff querem seu impeachment, 21 de abril) pinta um quadro falso do que está acontecendo no Brasil. Ele não menciona que tudo começou com a investigação da Operação Lava Jato, que revelou o maior escândalo de corrupção da história do país, envolvendo membros do Partido dos Trabalhadores, assim como líderes de outros partidos aliados ao governo, funcionários públicos e magnatas. Todo o processo de investigação foi conduzido sob a estrita supervisão do Supremo Tribunal.”

O Globo Grupo cumpriu o seu dever de informar e continuará informando a população, não importa quem possa ser afetado pela investigação. 

Como reação às revelações da Operação Lava Jato, milhões de brasileiros saíram às ruas em protesto, contra e prós Dilma. Para evitar acusações de incitar manifestações em massa - como o Sr. Miranda agora nos acusa - a Globo cobriu os protestos sem mencioná-los antes deles realmente estarem ocorrendo, garantindo a mesma atenção a cobertura de ambas as manifestações. Quando começou o processo de impeachment, mais uma vez foi atribuído o mesmo tempo e espaço para a defesa e acusação.

A Globo não apoia o impeachment em editoriais. Nós declaramos que, independentemente do resultado, tudo tinha de ser conduzido de acordo com a Constituição, que tem sido o caso até agora. O Supremo Tribunal - onde oito dos onze juízes foram nomeados pelas administrações do Partido dos Trabalhadores - aprovou todo o processo. A culpar a imprensa pela a atual crise brasileira é repetir o erro antigo de culpar o mensageiro pela mensagem.

Por último, a afirmação de que a Globo influência a mídia nacional só pode ser feita de má fé. A imprensa brasileira é uma paisagem vasta e plural de várias organizações independentes. Todo mundo compete com grande zelo para o público, que por sua vez é livre para fazer suas escolhas. Entre os concorrentes fortes, o que se encontra é a independência, sem qualquer tolerância para ser conduzido. 


O conglomerado de mídias finalizou dizendo: “Miranda tem o direito de dizer o que ele quer e o Grupo Globo, a responsabilidade de relatar os fatos.”

Você achou que os argumentos do Grupo Globo foram válidos? Ou o conglomerado está realmente influenciando o suposto golpe, as manifestações e os outros veículos de mídia no Brasil?
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