"Tá no Ar" se despede cutucando a Globo, religiosos e homenageando o SBT

Por: Guiga Bates, 06/04/2016
Galinha Preta Pintadinha
Infelizmente chegou ao fim mais uma temporada do programa humorístico mais inteligente e corajoso dos últimos tempos na TV brasileira. Nesta terça (05) o "Tá no Ar: A TV na TV" encerrou seu terceiro ano com direito a elogios e aclamação. 

Nas redes sociais o programa explode, levando internautas a loucura com a ousadia e cara de pau em tocar nas feridas ligadas a televisão, que por sua vez atinge a sociedade. Em termos de audiência, os índices são satisfatórios levando em conta o horário tardio de exibição. Anotou média geral de 14 pontos no Ibope.

Nesta temporada, a série de Marcelo Adnet, Marcius Melhem e Maurício Farias se mostrou mais implacável nas críticas repletas de sarcasmo e deboche.   

Entre os alvos, hipocrisia religiosa e excesso de televangelismo na telinha dominou diversas esquetes. Neste último episódio, um clip da "Galinha Preta Pintadinha" ao som de "We are the Ovo" disparou: "Viemos do Ovo/ Somos galinha/ Queremos paz/ Aqui no galinheiro não tem mais rinha/ O que ela seguir tenho que respeitar...", apontando para o estado laico brasileiro.

A concorrência também não escapou de sofrer críticas. A prática do sensacionalismo foi duramente criticada. Depois de uma temporada inteira enrolando com "O que tem dentro da caixa?", o "Te Prendi na TV" revelou que a caixa estava vazia. "Vá tomar no **!!!" , reagiu o apresentador desapontado com o resultado. 

Carlos Alberto de Nóbrega e a Velha Surda no "Tá no Ar"
Não somente críticas, uma bela homenagem ao SBT com uma sátira da "Praça é Nossa" apresentou a Velha Surda, na pele de Melhem, com participação do humorista Carlos Alberto de Nóbrega. O público nem acreditou no que viu. Muitos apontaram como momento histórico na Globo.

"Me convidaram pra vir e eu vim, porque eu não sou bobo", disse Calzaber. "Ah, vai trabalhar na Globo?", não entendeu a velha. "A senhora não entende a minha explicação!", retrucou o veterano. "Pediu demissão?" respondeu a surda numa parte do diálogo.

A Globo relaxou de vez. Assim como nas temporadas anteriores, se tornou piada e deboche no texto do "Tá no Ar". "Então, agora vamos falar da rede social de 140 caracteres". "Ué, não pode falar Twitter?!", disparou uma rápida esquete cutucando uma antiga decisão da emissora que proíbe programas da casa de citarem nomes de redes sociais.

O militante paraibano anti-globo também foi zoado quando encontrou seu quarto reformado pelo "Lar Doce Lar" do Luciano Huck. "Que po*** é essa manhinha? Cagaste todo meu quarto!...Isso aqui é Rede Globo de Televisão? Sai da minha frente, Illuminati!", disse o agraciado.

Até o "Criança Esperança", evento social e beneficente da Globo, sobrou: "Cadê o estatuto do adulto? Cadê a redução da licença paternidade? Cadê a licença paternidade para os pais? Por que só os divorciados tem direito a ver as crianças de quinze em quinze dias? Quero esse direito para os casados! Ah, criança não pode trabalhar... Ah, criança não pode apanhar! Chega!!! Chega!!!", se revoltou Jorge Beviláqua no "Jardim Urgente" na intenção de beneficiar os adultos.

Ao perguntar como estavam as doações, ouviu: "As pessoas que estão ligando não estão entrando no espírito da coisa. Doando 20, 40 reais, isso é uma mixaria, não é? Se for pra doar mixaria, não adianta ligar."

Que venha a próxima temporada, mais escrachada, ousada e livre! 
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