Record e sua mania de expor o nordestino como figura pitoresca

Por: Guiga Bates, 10/04/2016
Samukinha e o Dr. Jegue, um inventor.
Não sei qual é a graça que a Record acha em expor o nordestino como uma figura pitoresca, risível e ridícula. No "Domingo Espetacular" este estereótipo é evidente no quadro de reportagens chamado "Achamos no Brasil" com o tal do Samukinha, repórter de origem nordestina de sotaque puxado. Samukinha aparece sempre com cara de perdido, deslumbrado e abobalhado, todo lerdo.

A promessa do quadro é rodar pelo país, porém, é incrível como o Nordeste se torna o alvo principal da produção do DE. Revoltante! Neste domingo (10), o repórter foi até Fortaleza conhecer o Dr. Jegue. Irritante é ter que escutar um forró como trilha de suas matérias.

Forró e besteirol é igual ao Nordeste? Olhe, como baiano e nordestino, fico retado com um diabo desses! O episódio deste domingo não é nada em comparação com outras aventuras do repórter.

O "Achamos no Brasil" é a mesma série de reportagens em que a também conterrânea Renata Alves (Hoje em Dia) esteve à frente por nove anos. Na época, Renata fazia o maior papelão constrangedor, coitada. Uma boba da corte ao apresentar para todo o Brasil situações e figuras rocambolescas, principalmente oriundas do Nordeste. Ela achava que aquilo tava bonito. Com a entrada do Samukinha, nada mudou, é outro que não tem graça.

Não é somente no DE que a Record explora o nordestino. O "Domingo Show", de Geraldo Luis, abusa com uma outra "imagem", contando histórias de "pobreza, dificuldades e superação" do povo do sertão.

Apesar do modelo associativo ou padrão pré-estabelecido, será possível que o Nordeste não possa ser visualizado de outra forma?
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