Como o televangelismo se tornou uma praga na TV brasileira?

Silas Malafaia, Edir Macedo e Valdemiro Santiago lucram horrores com o televangelismo
Não te incomoda zapear pela TV e se deparar com uma quantidade absurda de canais religiosos, principalmente do segmento evangélico? Como se não bastasse as igrejas entupirem os canais menores de forma desregrada, algumas das principais emissoras da TV aberta abriram suas comportas para os evangelizadores. A prática do televangelismo é mais comum entre os neopentecostais, porém, existem televangelistas católicos e de outras subdivisões do suposto "cristianismo".

No Brasil, o fenômeno da introdução das igrejas nos veículos de comunicação teve início na década de 1990, pela compra da TV Record do Grupo Silvio Santos pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), bem como da entrada da Rede Vida de Televisão, ligada à Igreja Católica, em 1995.

A partir daí inúmeras denominações religiosas se aproveitaram de autorizações e puderam passar a explorar os serviços de radiodifusão. As emissoras comerciais, sem perder tempo, passaram a locar seus horários a essas igrejas, abrindo espaço em sua grade diária para veiculação de muitos programas de cunho religioso, resultando num fenômeno, prefiro taxar de praga.

O Código Brasileiro de Telecomunicações não proíbe diretamente o aluguel de espaços e horários a qualquer religião no rádio e na televisão. Não há um veto explícito. É ai que os líderes religiosos se aproveitam. Como não há forte regulamentação e fiscalização de contratos por parte dos órgãos governamentais responsáveis, os locatários e igrejas fazem a festa do jeito que o Diabo gosta.

Nesta prática absurda, alguns grupos de comunicação (Record, Band, RedeTV!, CNT...) estão ganhando rios de dinheiro com a venda e locações de horários à igrejas milionárias. O retorno certamente é garantido para a igrejas. Mais fieis, mais dinheiro entrando. Não seja bobinho a pensar que é Jesus quem mutiplica a conta dos pastores a fim de bancar os investimentos milionários na TV.

Além disso, algumas organizações religiosas acabam tendo os seus próprios canais de TV. Estes proprietários esqueceram que a TV, assim como o rádio, é um serviço de concessão pública concedido pelo Estado Laico. Eis o maior problema!

A praga televangelista fez com que o uso da TV deixasse de ser democrática, pois atinge à liberdade de credo e expressão, uma vez que o domínio de espaços midiáticos da pregação evangélica tem propagado ideias conservadoras, resultando em intolerância religiosa.

Uma vez ou outra, o Ministério Público ameaça dar um susto na epidemia desenfreada do televangelismo. No entanto, de nada serve. É só pegar seu controle remoto e verá que a praga tem tomado maiores proporções. 
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