Com estreia sonífera, "Os Dez Mandamentos" não empolga e continua a mesma porcaria

Por: Guiga Bates, 04/04/2016
Moisés e as tábuas de isopor
Depois de quase quatro horas de sangue, num programa que segundo Marcelo Rezende, é ponto de encontro da família brasileira, a hipócrita Record se transforma numa santa com a chegada da segunda temporada da blasfemadora e remendada novela bíblica "Os Dez Mandamentos", a "novela da família brasileira".

É blasfemadora, sim! Pelo menos os religiosos que se prezam a deviam encarar assim, visto que a missão da novela é unicamente o lucro em cima da Bíblia Sagrada e fé dos trouxas. Pior é que tem gente alienada que acredita que a intenção do Edir é pregar palavra de Deus através da novela. Paciência, viu?

Antes da estreia, postei aqui no Detona TV cinco motivos sobre o que o telespectador de bom gosto poderia encontrar caso decidisse passar o olho na produção da Record. Não possuo os dons do profeta Moisés, porém, parece que acertei em cheio.

O que se viu: um longo capítulo de 1h20 sem intervalos comerciais. Se houve break, desculpe-me, acho que por um momento peguei no sono e não vi. Capítulo de estreia sonífero, sem sal e parado. Nada empolgante.

A produção, no que tange cenografia e figurino continua a mesma pobreza. Roupas desenhadinhas, hiper costuradas, limpinhas e cenários fakes. É possível identificar o papelão e placa de madeira com uma demão de tinta. As barbas postiças e apliques de cabelos estão mais evidentes do que nunca. O acampamento aos pés do Sinai mais parecia um arraial de festa de São João. Impossível acreditar que aquele punhado de figurantes representam uma massa de hebreus. Econômico demais da conta.

Logo no início do capítulo, Moisés (Guilherme Winter), aquele que incrivelmente nunca envelhece, (aliás, a maioria do elenco deve ter bebido da fonte da juventude), aparece com o rosto resplandecendo após um diálogo com Deus, uma lâmpada incandescente humana de tão exagerado.

A cena que deveria ser a mais interessante e chocante do capítulo, na qual acontecia o sacrifício de bebês pelos adoradores pagãos, saiu vergonhosa e risível. Nem sequer tiveram o trabalho de jogar um bonequinho no fogo a favor do realismo. Percebe-se o medo da Record de se arriscar, se limita afim de não chocar a tradicional família brasileira. No entanto, matar um personagem ao fio da espada, pode. O público aceita tal morte como natural.

O problema da fraquíssima autora Vivian de Oliveira continua. "Aleluia, Aleluia e Aleluia". Por um momento sentir-me assistindo um teleculto da IURD. Muitas lições doutrinais. A linguagem ainda soa moderna com conversas pra lá de informais. Não há preocupação com o uso da linguagem adequada para época. Ao que parece, a autora, na intenção de embromar, focará em relacionamentos. Perdi as contas de quantos casais apaixonados e futuros romances deram sinais somente neste capítulo. Como sempre, desrespeitosamente fugindo da narrativa bíblica e inventando merda. Disso, os crentes não reclamam. Ah...se fosse na Globo!

Apesar de receber reforço, o elenco só se salva por um milagre de Deus. Destaque para a péssima atuação da inexperiente Rayanne Morais, ex-participante de "A Fazenda". Alguém precisa avisá-la que impostar texto e fazer carinha de sofrida não convence. Até o experiente Leonardo Vieira, interprete do feiticeiro Balaão, passou vergonha. Miriã (Larissa Maciel) e Joquebede (Denise Del Vecchio) voltam com as mesmas caras irritantes de sempre, sempre emocionadas e chorosas. Winter, sem comentários, ainda não acertou o ponto, entre um Moisés manso, lerdo ou fervoroso. 
O corpo de Moisés, sabe-se lá onde esteja, deve está se revirando no túmulo.

A trama bíblica estreou a nova temporada com 18.2 pontos de média, contra 27 da Globo, segundo dados preliminares da Grande São Paulo. Vale lembrar, que a estreia da primeira temporada registrou 12 pontos na capital paulista. No Rio de Janeiro, o primeiro capítulo fechou com 20.2 pontos de média, contra 29 da Globo na prévia. Pode ser que este neo-público da Record acompanhe a novela até o fim ou cresça, afinal, o mau gosto é epidêmico.

De diferente, só mesmo a abertura. O exagero do diretor Alexandre Avancini é o mesmo, o texto da Vivian não evoluiu, o elenco pior. Serão três meses de "Os Dez Enrolamentos" ou "Embromamentos". Se for acompanhar, vai precisar orar a Deus para não dormir no sofá ou preparar uma bebida forte pra espantar o sono. Assim como na primeira temporada, vem aí a mesma porcaria de sempre.
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