"The Voice Kids" se despede com sucesso, mas se perde no fofurômetro

Por: Guiga Bates, 27/03/2016
Com 66% dos votos, Wagner Barreto é o campeão
Entre um dos motivos de festa na Globo por ter lançado o "The Voice Kids" nas tardes de domingo, é o fato do horário global deixar de ser frequentemente pisado pelo Geraldo Luis com seu "Domingo Show". Enquanto Regina Casé estava no ar, o "Esquenta" servia de tapete ao perder a liderança por vários minutos. "Esquenta" e "Domingo Show" se merecem, dois programas de baixa qualidade. Um circo de favela e outro circo dos horrores da exploração barata.

Com a chegada do reality musical infantil, sucesso de público e crítica, a Globo respirou aliviada. A atração garantiu 16 pontos de média em São Paulo, o que representa alta de 45%. No Painel Nacional de Televisão, o "The Voice Kids" elevou em 46% em comparação a 2015, cravando 19 pontos de média.

O programa não acertou somente em audiência. Há quanto tempo não víamos um show de qualidade num domingo a tarde? Nada mais gostoso do que assistir e ouvir crianças cheias de talento soltando uma linda voz. Se você acompanhou esta primeira temporada do reality, impossível não ter se arrepiado ou soltado lágrimas com o desempenho delas. Para os adultos, uma viagem no tempo.

Outro grande acerto do reality foi tratar as crianças como crianças de verdade, de comportamento a vestimenta. Até na escolha das canções notou-se a fusão da genuinidade, da pureza e música adequada para cada idade. O que se viu ao longo dos meses, não foram baixinhos se comportando como adultos, bem diferente do que acontece em outras produções. Apesar de serem crianças, incrível ver seus níveis de dedicação, talento, seriedade e compromisso.

Os jurados, ou técnicos, em nada deixaram a desejar. O maior destaque sem dúvidas é a Ivete Sangalo, se redimiu da participação no "SuperStar", reality de bandas. Carlinhos Brown impressionou pela diminuição da chatice vista nas versões adultas. Vitor & Léo, apesar da estreia no gênero, também fizeram bonito, super afiados. Tecnicamente cumpriram bem seu papel. Novamente o ponto: trataram, julgaram e instruíram os candidatos na medida certa, segundo a idade e maturidade de cada um. Em relação a Ivete, com um coração materno "deste tamanho", naturalíssimo a explicação do choro e derretimento visto em vários, ou senão, em todos os episódios.

Rafa Gomes estourando o fofurômetro 
Maior erro, incluir o fofurômetro. O foco é a música ou fofura? Em parte perdeu-se o objetivo inicial. A fofura das crianças e adolescentes deveria estar em segundo plano, o que não aconteceu. Misturou-se e consequentemente atrapalhou. Tudo bem que a fofura é inevitável, mas engrandecer esse quesito prejudicou o produto final. A busca central do reality seria a melhor voz, não o mais bonitinho, mais engraçadinho, mais vestidinho ou qual teria a história mais emocionante. Lógico que as melhores vozes merecidamente chegaram a final, mas espero que na próxima temporada, a produção seja mais comedida em não empurrar a fofura e deixar com que essa peculiaridade seja identificada naturalmente pelo público. Não precisa de um medidor.

Como disse a Ivete na final deste domingo (27), o reality estabeleceu um padrão para as próximas temporadas. Sem erros tão perceptíveis, sucesso e objetivo cumprido, o "The Voice Kids" nos deixa a Deus dará nas mãos do "SuperStar", que mudou de horário. Que falta fará! 
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