"Teresa": o fenômeno mexicano que rompe barreiras

Por: Kristian Vinco, 29/03/2016


Aproveitando o excelente momento da telenovela e reconhecendo seu sucesso absoluto, impossível não destacar o fenômeno que se tornou a trama protagonizada por Angelique Boyer, que conquistou grande parte do público em todo o Brasil. Para confirmar tal afirmativa, nada melhor que fazer essa nota um dia após a novela repetir recorde e consolidar 10 pontos de média na Grande São Paulo, índice muito alto para os padrões do SBT.

Percebe-se facilmente o quanto “Teresa” destoa das demais novelas importadas da Televisa. Ao contrário das vizinhas “Cuidado com o Anjo” e “Meu Coração é Teu”, “Teresa” foge do padrão comum seguido pelas produções mexicanas, quando não explora ao máximo o lado meigo e amável dos personagens, dando um grande destaque para o lado perverso e manipulador dos mesmos. Isso é facilmente identificado quando analisamos a protagonista, que dá nome a novela. Um personagem que sabe controlar seus sentimentos e abre mão do amor para conquistar seus objetivos, indo na contramão dos tradicionais enredos mexicanos, que geralmente propõem uma supervalorização do eu sentimental e sugerem que o amor é capaz de vencer tudo e se sobressai sobre os demais aspectos da vida.

“Teresa” não se destaca somente por quebrar o tabu das protagonistas mocinhas e ingênuas, mas também pela qualidade das gravações e atuações impecáveis dos atores muito bem elencados. O alto nível das cenas não se limita aos momentos decisivos da novela, mas abrange todas as situações abordadas na trama. Até mesmo os momentos mais amenos são temperados por elementos que enriquecem a produção, como uma fala irônica, um olhar debochado, uma frase enigmática e sugestiva. 

Todos esses fatores listados colocam “Teresa” em um nível superior às demais produções da Televisa exibidas pelo SBT e fazem muitos apontarem a novela como equivalente a uma produção global. A audiência corresponde e excede expectativas, e neste momento pode ser entendida como uma confirmação da qualidade da novela aqui defendida. Por essa razão, fugiremos à regra e dedicaremos essa nota a exclusivamente apontar os aspectos positivos de “Teresa”, uma vez que sua condição como exceção em meio aos dramalhões mexicanos melosos e saturados, a permitem gozar de tal privilégio. 

“Teresa” se encerra na próxima semana deixando o legado de que as novelas mexicanas podem ser muito mais que uma simples obra convertida mecanicamente em histórias de amor. O sucesso e reconhecimento do público é mais que merecido, e talvez fosse muito maior caso fosse reservado para essa grande produção um horário mais digno. Para encerrar, não poderia deixar passar uma frase que marcou os telespectadores, e por si só justifica a superioridade de “Teresa” frente às demais mexicanas: “Entre ser ou não ser, eu sou”.
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