"MasterChef" volta com chefs bipolares e sem o sabor original

Por: Guiga Bates, 16/03/2016


Sabe por que não tenho mais paciência para assistir realitys culinários brasileiros? Não é pelo fato de sentir fome. É que tudo já não passa de uma mesmice. Os chefs, assim como a equipe de edição, forçam a barra no suspense, drama e patadas de cavalo. O excesso do gênero na TV aberta beira a glutonaria. Perdeu o gosto de quero mais e sensação de novidade.

Nesta terça (15) a Band estreou a nova temporada do "MarterChef", saturado reality gastronômico. É o único produto da emissora que faz o público lembrar que a mesma ainda existe. Esta terceira temporada terá 25 episódios e 21 participantes. A mais longa até hoje. Tente imaginar a razão...

O trio de chefs, Erick Jacquin, Paola Carosella e Henrique Fogaça voltam do mesmo jeito: bipolares. Nesta fase inicial, aparentam ser adoráveis e melosos com quem vão com a cara ou, mais antipáticos do que nunca ao infernizar e intimidar candidatos ruins ou impulsivos e talentosos. Tenho pena dos ruins. Imagina minha pessoa, baiana e arretada, tentando aprontar meu prato num tempo limitado, cheio de nervosismo e alguém vem no meu pé de ouvido me dando pitacos, certamente meteria a panela quente na cara de um.

Ok! Todos os que participam do programa sabem que levarão patadas e passarão por constrangimentos. Não deixa de configurar assédio moral. O que a lei diz sobre o comportamento desrespeitoso dos chefs é claro e notório, é assédio sim. Tá bom! Que tem demais, né? É aí que está a graça de realitys do tipo, eis o motivo do povão assistir. Você assiste por comida? A maioria quer ver tensão e grosserias. Humilhação na TV pode! Por que rende audiência. No trabalho secular...jamais, daria processo.

Lembra do "Hell's Kitchen", do SBT? Tomei ódio. Uma pessoa em sã consciência, jamais se submeteria passar por aquilo. Se permite, por dinheiro e fama, é um completo idiota sem dignidade. Em comparação, no "MasterChef Brasil" a conhecida arrogância dos chefs é mais leve, mas não deixa de ser ofensiva. Em algumas versões internacionais, como o da Austrália por exemplo, os chefs tem outro comportamento. Lembrando que, dos três da versão brasileira, somente um é brasileiro.

A maioria dessas patadas são desnecessárias e de mau gosto. As fazem somente para apimentar a atração e mando da produção. Os chefs parecem encarnar um personagem numa encenação. Não é possível que não possam instruir, aconselhar tecnicamente de forma respeitosa e educada ao se depararem com um candidato sem noção ou prato ruim. Mesmo que fossem seus empregados, não há justificativa para tal tratamento grosseiro. Há broncas que estimulam o candidato e há broncas desmoralizadoras.

Nem lembrei da Ana Paula Padrão. Qual o papel dela ali? Fazer drama e chorar com os candidatos? Inútil.

O "MasterChef" só está começando. Se você vai acompanhar o reality, é melhor forrar o estômago para um formato que já perdeu o sabor original e que tem no pé do fogão, chefs de temperamento instável.
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