Falta de criatividade na televisão brasileira: tem como piorar?

Por: Márcio Andrade, 20/03/2016



Uma das coisas que está me deixando bastante surpreendido contrariamente de uns tempos pra cá, na televisão aberta brasileira, se é que isso é possível, é a extração de conteúdo de forma exacerbada da internet para ela. Confesso que eu não sei o que anda acontecendo com os produtores deste país. O que dá a entender, é que o máximo que eles conseguem, é produzir formatos de produtoras de outros países; criar que é bom, nada.

Segundo o dicionário da língua portuguesa, produtor é “aquele que produz, que cria…” Pelo visto, para os mesmos, o “criar” está ficando cada vez mais escasso. Alguns dizem, que no Brasil forma-se inúmeros produtores de TV todo ano. Talvez esteja aqui o maior problema: quantidade ao invés, de qualidade. Tipo assim: parece que a pessoa tenta de tudo; e, caso fracasse e nada venha a dar certo pra ela na vida, a dita cuja forma-se em produtor(a).

Já repararam que nenhuma produtora independente brasileira, se destaca direito nacionalmente? O mercado audiovisual deste país é, no que tange, ao licenciamento dos formatos de programas, completamente dominados – mérito delas, claro! – pelas produtoras internacionais, tais como: Endemol, FremantleMedia, Eyeworks…

Será que isso é fruto dos profissionais medíocres, incompetentes, acomodados, sem talento etc. e tal que estamos formando? Pergunta retórica. E sabem as produtoras de TV independentes? Ironicamente, de “independentes”, elas só têm o rótulo. Em sua esmagadora maioria, se não forem todas, as mesmas vivem de benesses criadas pelo governo, a saber: a famigerada Lei Rouanet e cotas na TV paga.

E, convenhamos, aqui entre nós: vocês acham que essas emissoras gostam de exibir esses conteúdos brasileiros? De forma alguma. Somente sendo ingênuo para acreditar que sim; visto que elas repetem quase sempre os mesmos filmes, simplesmente para o cumprimento da lei arbitrária que as obrigam a veicularem em sua grade de programação uma certa porcentagem de conteúdo nacional.

Lamentavelmente, a meritocracia está sendo sucumbida autoritariamente devido à demagogia e ao populismo. E quem perde com isso? Obviamente, nós telespectadores, com certeza. Por quê? Ora, a partir do momento que empresas brigam acirradamente entre elas por algum objetivo, a qualidade do serviço melhora constantemente. Onde não há concorrência, há comodismo. E isto definitivamente nunca é bom, seja em qualquer ramo trabalhista.

E aí… Tem como piorar? A meu ver, sim. Pois, se o que há de melhor pode ser aperfeiçoado, por quê o que há de pior não poderia? No quesito superação, o ser humano continuamente consegue se… superar, ainda que seja positiva ou, às vezes, negativamente.
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