Com auditório e cenário inúteis, programa "Gugu" é dominado por jornalismo

Cenário da atual temporada
Por: Guiga Bates, 17/03/2016

Queria saber para que serve a platéia do auditório e qual finalidade daquele amplo cenário do programa "Gugu", na Record. São inúteis. Se o apresentador comandasse seu programa dentro de uma pequena caixa quadrada seria mais interessante e econômico.

A atração simplesmente é dominada por jornalismo, geralmente da pior qualidade. O próprio DESanimador tem formação na área. Para esta temporada, algumas mudanças são visíveis na atração. A principal delas é o destaque para o jornalismo.

Quando Gugu assinou contrato no ano passado, afirmou que estava feliz com a parceria envolvendo o departamento de jornalismo da Record. O resultado é que acabou dando certo, pelo menos em audiência. É o que salva o programa no Ibope, sempre focando em notícias e personalidades polêmicas e de forte apelo popular. Na estreia em fevereiro, a arte mais revoltante e polêmica do Gugu foi abrir o túmulo da Dercy Gonçalves.

Toda quarta-feira, o público de casa que escolhe sofrer diante da tela da Record, tem que assistir a "Reportagem do Gugu". Uma longa, looooooooonga matéria mal editada, exagerada e abarrotada de sensacionalismo barato. Um teste a paciência. O "Domingo Show" também segue a mesma linha com o "Reportagem do Geraldo". Até o "Domingo Espetacular", que é puro jornalismo, também tem um momento exacerbado intitulado de "Grande Reportagem".

Ao vivo, imagine o sofrimento da platéia no estúdio... coitadas, vão para um programa de auditório, fingido de entretenimento e fincam o traseiro na cadeira assistindo matérias sem hora para acabar. Toda quarta, é notório a escassez de conteúdo.

O programa tem cerca de 1h45 de duração, metade é dedicada a exclusiva do Gugu, o resto do tempo que sobra, vem mais externas. Só lá pelo fim do programa Gugu volta a ocupar o cenário que fica no vácuo por boa parte da exibição. Aliás, Gugu ocupa o cenário amplo e vazio, apenas para fazer merchan e chamar outra matéria ou intervalo comercial.

Nesta quarta (16), quase 30 anos depois de seu primeiro encontro com Florinda Meza, a atriz que deu vida à personagem dona Florinda do seriado Chaves, Gugu viajou até Cancun, no México, para fazer uma entrevista com ela. Ao todo foram cerca de 1 hora e 10 minutos dedicados a Florinda. 

Pasmem! Logo após dessa cansativa matéria, sem dar descanso, Gugu chama outra matéria encabeçada por uma repórter chata e enjoada, a Thatiana Brasil, aquela de voz forçada que saiu do "Domingo Espetacular" para se afundar de vez no sensacionalismo e apelo emocional do Gugu. Sobre? "Filho não tem dinheiro para levar a mãe á formatura, mas ela aparecerá de surpresa". 

Após mais 35 minutos de reportagem, o programa chega ao fim. E só! E toca o "Passarinho quer dançar... O rabicho balançar... Porque acaba de nascer... Tchu tchu tchu". 

A plateia, certamente caindo pelas beiradas devido ao tédio e sono, se desperta apenas para retornar para suas casas, decepcionadas. Nem sequer um artista da música ou sub celebridade para tirar uma fotinha. De brinde, receberam um kit de um patrocinador. A única participação da mulherada da plateia se resumiu apenas em gritar e bater palmas, todas vez que o programa ia ou retornava do break.

Se o Gugu não quiser apresentar seu programa numa caixa quadrada, de tamanho equivalente ao seu talento e capacidade, poderia dispensar a plateia e trocar seu desperdiçado espaço físico do programa de auditório por uma simples bancada de telejornal, seria menos enganador, vergonhoso e lucrativo. Uma estrutura tão grande, porém mal aproveitada. Compreensível, falta conteúdo de verdade para se fazer um verdadeiro show.
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