“The Voice Kids” x “Domingo Legal” = Conteúdo de qualidade x lixo cultural

Por: Márcio Andrade, 29/02/2016



Neste último domingo (28), zapeando pela “magnífica” programação da TV aberta brasileira, procurando algo que preste para poder ver (momento utópico), deparei-me com dois programas que externam explicitamente a qualidade ou, mais precisamente, a falta dela, na nossa música.

A começar pelo programa do SBT, havia certo sujeito lá que se intitulava “cantor”, cujo nome artístico é Mc Bin Laden, “cantando” – para não falar uma coisa mais pesada – tal “música” chamada “Tá Tranquilo, Tá Favorável”. Confesso que não entendia bulhufas nenhuma do que ele estava “cantando”, simplesmente o refrão dela. E acho que, nem com a tecla SAP, teria como entender. A letra da música, se é que pode chamar assim, é indecifrável. Pois bem. Cansado daquele terrorismo musical em meus ouvidos, para fazer jus ao nome do “cantor”, fiz o que qualquer pessoa sensata no meu lugar faria: mudei de canal, para saber se tinha algo melhor passando em outros canais, porque, pior, eu tenho certeza que não iria ter. 

Colocando na Globo, estava passando o “The Voice Kids”. E assumo que nunca tinha visto este programa, pois não sou muito fã de programas musicais, com exceção, à época, do “Ídolos”, quando ainda os direitos desse formato da FremantleMedia pertenciam ao SBT. Adiante. Então, fiquei impressionado com três meninas que cantavam uma música da cantora norte-americana Taylor Swift. E o mais interessante é que, numa fase chamada, se não me engano, “Batalha Musical”, elas alternavam entre si a hora de cantar, sem perderem o tempo de uma entregar a música para a outra, mesmo ela sendo em inglês. 

E, apesar de ter sido em outro idioma, cujo qual não entendo muito, dava para notar que a música era de qualidade. Para encerrar, esta pergunta: até quando os programas da televisão brasileira continuarão achar que funk é música, pelo menos a sua maioria? Não vou generalizar. Têm alguns que são digamos, “legais”. Porém, uma enorme parte é tudo de péssima qualidade. Com “cantores” que não sabem cantar, e cujas letras “matam” a língua portuguesa de forma vexatória. Sem falar, claro, nas danças ridículas e no proselitismo à baixaria. 

Ah, eu quero deixar bem nítido que não sou rico, não sou elitista, “coxinha”, nada disso, infelizmente. Mas mesmo sendo pobre, eu sei apreciar aquilo que é de qualidade. Portanto, tenho a plena convicção que, o funk não está incluído nisso; ainda mais, a sua esmagadora maioria.

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