Enquanto a Record paga de crente, a Globo paga peitos e bundas na programação

Por: Ton Estevão, 29/02/2016, atualizado em 23/06/2016


A TV brasileira tem programas de todos os tipos e para todos os gostos. Na TV aberta tem até emissora que paga de crente na programação enquanto outra paga de moderna e liberal. Sim, Record x Globo, eternas inimigas na disputa pela preferência do telespectador.

A grade da Record está recheada de programas religiosos. A tela crente da emissora começa logo cedo nas primeiras horas do dia com o programa “Fala que eu Te Escuto” uma versão gospel do “TV Fama”. Para garantir a verba gorda da Igreja Universal, a Record abre a mão da vice liderança no horário exibindo orações e conversas pra boi dormir madrugada à dentro.

Durante o dia, várias inserções religiosas surgem na programação da emissora, inclusive nos momentos mais inesperados. Pasmem! Durante o quadro “Hora da Venenosa” do programa “Balanço Geral SP - Tarde”, o bispo interrompe a jornalista Fabíola Reipert, que faz fofocas falando da vida de deus e do diabo, para fazer oração. É um momento que o telespectador vai do “inferno” pro “céu” em poucos segundos e quando termina a oração volta de novo para o “inferno” da vida alheia.

Depois do sucesso da novela “Os Dez Mandamentos” a Record parece querer investir cada vez mais em temas religiosos na sua dramaturgia, boatos que existe até um projeto “do Éden ao Apocalipse”. Este é o futuro da teledramaturgia da emissora daqui em diante.

Do outro lado temos a Globo, cada vez mais liberal para a alegria do telespectador que não é chegado em conservadorismo. Aliás, a Globo parece estar gostando muito de soltar a "franga" em sua programação. O programa “Amor e Sexo” apresentado por Fernanda Lima já mostrou no palco um bando de peladões do jeito que vieram ao mundo, e no “Big Brother Brasil” pagar peito, bundas e cofrinhos são tão comuns quantos as orações da concorrente.

Se a teledramaturgia da Record está cada vez mais religiosa, as novelas e séries da Globo caminham na direção contraria.

A novela “Verdades Secretas” do autor Walcyr Carrasco fez muito sucesso com as cenas de nudez de homens e mulheres. As bundas dos personagens desfilaram pela trama gerando taquicardia nos mais sensíveis.

Outras novelas como “Babilônia”, de Gilberto Braga e “Amor à Vida”, de novo do autor Walcyr Carrasco, criaram polêmicas com o controverso beijo gay.

A série “Felizes pra sempre?” fez mais sucesso com a bunda da Paola Oliveira do que com a história em si. E olha que a série com direção do Fernando Meirelles era ótima!

A impressão é que a Globo gostaria de liberar geral, só não faz isso por causa de uma parcela mais conservadora da população que ainda assiste seus programas, a mesma que boicotou a novela “Babilônia” por causa do beijo entre as personagens de Fernanda Montenegro e Nathália Timberg. Seria o telespectador crente da concorrente que não consegue ficar sem assistir o plim plim?

Recentemente a emissora desistiu de exibir um filme com temática gay em sua programação devido á repercussão que gerou. Com "Liberdade, Liberdade" no ar, a Globo aproveita o horário tardio e tome bunda, sexo, e agora, a tentativa de emplacar a primeira cena de sexo gay da TV brasileira. Tradicional família brasileira em pânico.

O fato é que essa diferença quase filosófica da Globo e Record está repleta de hipocrisia dos dois lados e só serve para alimentar ainda mais a concorrência entre as duas emissoras e a rivalidade entres seus fãs.

Embora uma flerte com a religião e a outra com a libertinagem, a verdade é que não existem emissoras “santas” ou totalmente liberais, existem emissoras com programas bons ou ruins e cabe à cada um de nós decidir qual iremos escolher.
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