Dez novelas injustiçadas pelo público e que mereciam mais

Por: Júlio Henrique, 28/02/2016



É verdade que a audiência pode dizer muito sobre a qualidade de uma novela. Mas uma série de fatores externos também pode influenciar nos números. Além disso, a falta de hábito com um determinado gênero, puro preconceito com as temáticas ou até mesmo uma antecessora ruim podem fazer o público abandonar tramas bem feitas que acabam injustiçadas.

Aqui, uma relação de tramas que não empolgaram no Ibope e que mereciam mais! Confira:

Pecado mortal (2013)

Paloma Duarte, Bruno Padilha e Francisca Queiroz em cena de Pecado Mortal
Arrisco dizer que “Pecado Mortal” foi a melhor novela já produzida pela Record. Um roteiro de Carlos Lombardi excelente (com o que se esperava dele: homens sem camisa, piadas com teor sexual etc..), uma bem elaborada reconstituição de época, ótima direção e fotografia marcaram a novela. “Pecado Mortal” foi mais uma vítima da incompetência dos executivos da Record. Sem nenhuma divulgação que valesse a pena e ainda por cima, depois de semanas de baixa audiência a novela migrou da faixa das 22h30 para às 21h10, concorrendo diretamente, neste dia, com a estreia de "Em Família", na Globo.

Joia Rara (2013)

Carmo Dalla Vecchia como Manfred em “Joia Rara'
Uma novela que é uma verdadeira joia. Brilhante e rara. Elenco afinado, ótimo texto (mesmo sendo dramático demais), direção cautelosa e padrão de cinema. Mas não fisgou o publico. Talvez o texto ou o filtro usado tenha afastado o público. A trama até correu atrás do prejuízo (sem sucesso), mas não perdeu a beleza e o cuidado estético que se propôs. Pelo menos a ótima produção e cuidado estético a fizeram ganhar o Emmy.

Esplendor (2000)

Cássia Kis Magro na pele da Adelaide de "Esplendor"
Depois de investir pesado em “Força de um desejo” (uma rica e cara produção de época), mas sem sucesso, a Globo decidiu e produziu “Esplendor” a toque de caixa, quase um recorde. Foram apenas 45 dias apenas de produção. “Esplendor” foi idealizada como mininovela, teria apenas 80 capítulos. Devido ao razoável sucesso, foi esticada mesmo tendo pouquíssimas tramas paralelas e não perdeu o interesse do telespectador.

A produção de “Esplendor” fez milagres: a cenografia e figurinos eram lindos (com um tom now que a trama pedia), a fotografia peculiar contribuía para a atmosfera meio gótica da trama. Nas atuações destaco Cássia Kis, como Adelaide, e Letícia Spiller que conseguiu nos fazer esquecer a sua atuação em “Suave Veneno”. Uma boa novela que foi esquecida.

A vida da gente (2011)

Marjorie Estiano, Rafael Cardoso e
Fernanda Vasconcellos: protagonistas de "A vida da gente"
Certamente a mais original e mais bem escrita trama das seis dos últimos anos. A história da então estreante Lícia Manzo não tinha vilões ou mocinhos. Os dramas, sofrimentos e sorrisos vinham do destino, do acaso que cruzava a vida dos personagens lhe pregando peças constantes. Mas a audiência não correspondeu. Foram apenas 22 pontos de média. Destaque para o ótimo texto da autora, mesmo que muitas vezes fosse um pouco angustiante.

Ciranda de Pedra (2008)

Tammy Di Calafiori e Ana Paula Arósio durante gravações de "Ciranda de Pedra" 
O enredo original que deu origem à sinopse e baseou os primeiros capítulos da história era de uma trama pesada, de drama. Os atores deram um show. Arósio, Ana Beatriz Nogueira, Daniel Dantas estavam excelentes nos papéis e o texto acompanhava.

Acostumados com romances e comédias leves, o público rejeitou a história (que tinha uma fotografia lindíssima, aliás). Sem falar também que o público torceu a cara para as escalações de Ana Paula Arósio (jovem de mais para o papel) e de Tammy Di Calafiori. Resultado: na tentativa de dar o que o telespectador queria, o autor se perdeu no enredo original. 

Esperança (2002)

Reynaldo Gianecchini e Ana Paula Arósio na novela "Esperança"
"Esperança" não era uma ótima novela, mas não merecia a audiência que teve. Foi até humilhada pela reprise de “Por Amor”. Era lenta demais e o casal de protagonistas não ajudava (um Reynaldo Gianecchini até então inexperiente, e uma Priscila Fantin igualmente ruim). A trama só foi melhorar com a troca de autores (Walcyr Carrasco substituindo o Benedito, que alegava problemas de saúde) e a entrada da Ana Paula Arósio na trama (por volta do capitulo seis).

"Esperança" estava longe de ser uma trama ruim. Uma linda reconstituição de época, direção de atores que fazia milagres num texto fraco. Nos campos de atuações, Ana Paula Arósio e Raul Cortez eram os melhores. Destaco também a fotografia lindíssima (com o tom que uma trama de época pedia) e para trilha sonora, inclusive na abertura onde a Globo inovou. Na primeira semana, a música-tema era cantada em italiano. Na semana seguinte, passou para o hebraico, e depois ganhou uma versão em espanhol e outra em português.

Desejo Proibido (2007)

Daniel de Oliveira na pele de Henrique Jordão
Contada com um bom texto, percorria do drama à comédia com muita leveza. Ah, e com um delicioso gostinho de Minas Gerais, causando bem uma identificação com o interior do Brasil. Mesmo com todos os ingredientes de uma boa novela, a audiência ficou abaixo do esperado pela emissora na época (média de 24 pontos na Grande São Paulo, o que hoje seria um grande sucesso). Talvez por ser uma história de época e estreada em pleno horário de verão (mal que assombrava várias outras produções). Entretanto, Negrão manteve-se fiel à sua ideia original e contou a história lindamente.

Eterna Magia (2007)

Maria Flor (Nina) e Malu Mader (Eva)
A História de Elizabeth Jhin, exibida em 2007, tinha uma série de pontos a favor. Ambientada em parte na Irlanda, a história trouxe um frescor ao horário com imagens diferenciadas, ambientação inusitada e bela fotografia. O elenco era bissexto em novelas, especialmente nesta faixa: Maria Flor, Thiago Lacerda e Malu Mader encabeçavam o time.

A história era interessante, o tom soturno era inédito e o texto de Jhin era bem construído. Era o tipo de novela com lógica própria, quase um conto de fadas – ou de bruxas, que eram retratadas na trama. O público não entendeu.

Na segunda fase, após um mês de exibição com baixa audiência, a trama ganhou uma virada e se transformou em uma historinha sem grandes atrativos, mas que agradou o telespectador do horário. Alguns personagens mudaram suas personalidades, como por exemplo, a personagem Nina (Maria Flor), que era mocinha da trama e se tornou vilã, bem chata por sinal. A média final foi de 26 pontos, considerada baixa para a época.

Lado a lado (2012)

Camila Pitanga e Milton Gonçalves em cena de "Lado a Lado"
A história era forte, bem amarrada, com produção impecável. Ambientada no Rio de Janeiro do início do século XX (1910), teve fortes traços históricos como a Revolta da Chibata, a Revolta da Vacina, a entrada do futebol no Brasil, o surgimento das favelas, o fim da Monarquia e o início da Republica. Retratou o racismo presente na época e os encontros e desencontros dos casais Laura e Edgar, e Izabel e Zé Maria.

A audiência não correspondeu, mas foi longe de ser um fiasco entre os que a assistiram. Exibida num período em que toda atenção ainda era para “Avenida Brasil, “Lado a Lado” inovou, surpreendeu, mas manteve-se fiel à sua origem e por esses e outros motivos foi consagrada ao receber o "Emmy Internacional”.

Força de um desejo (1999)

Malu Mader e Fábio Assunção
O maior clássico entre as ótimas novelas que não fizeram sucesso.

O horário das 18 estava em crise com o fim da segunda versão de “Pecado Capital”, e então a Globo precisava de uma trama para reverter o estrago. Decidiu investir numa trama de época, gênero esse que consagrou o horário. A Globo investiu pesado em produção, figurinos etc... Tudo em “Força de um desejo” era bom. Plasticamente, uma das melhores produções da emissora, não devendo nada a títulos como “Os Maias”, outra trama injustiçada.

Inexplicavelmente não alcançou sucesso. Ainda que a audiência não correspondesse, todos ressaltavam a qualidade da trama e o requinte dos cenários e figurinos. Em alguns momentos o texto se apresentava frágil, o que pode ter contribuído para rejeição, mas a suposta fragilidade era apenas uma artifício do apurado texto de Gilberto Braga e Alcides Nogueira.

Parte 02, em breve!

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