"A Regra do Jogo" arranha imagem de João Emanuel Carneiro

Por: Guiga Bates, 12/02/2016
João Emanuel Carneiro
Que falta faz "Avenida Brasil"! Quem achou que "A Regra do Jogo", atual novela do quase canonizado autor João Emanuel Carneiro, seguiria os mesmos passos da trama que parou o Brasil em 2012, se frustou.

Para não haver comparações com o trabalho anterior. JEC aparentemente tentou esquecer a Carminha e a turma do Divino. O autor vendeu uma novela diferente. Diferente só mesmo no ritmo de série e pegada policial.

Nenhum autor curte comparações. É claro que repetir a mesma essência de um mega sucesso não acrescentaria dignidade a sua carreira tão bem sucedida. Acontece que JEC não se livrou dos próprios fantasmas que o consagraram.

Características da trama atual já foram usadas em "Avenida Brasil". Exemplo: Personagens dúbios, famílias cômicas, vilã adorável, mocinha vingativa, muita favelagem e o detestável funk. Uma inspiração?

Diferente do resultado de "Avenida", "A Regra" capengou. Os personagens ambíguos demoraram a se definir. O funk e favela de sempre não agradou. A vilã tão esperada desandou. A temida facção que tenta movimentar a trama não convenceu e assim por diante. Já parou para contar quantas vezes os personagens repetem a palavra "facção" num só diálogo ou capítulo?

Os mortos, no total de seis, caíram no total esquecimento. Lembra da tal caixa cênica da diretora Amora Mautner? Puro fogo. Causou estranheza e ao que parece perdeu importância ao longo dos meses, assim como os personagens mortos, ninguém faz menção.

Ultimamente a novela do JEC tem batido recordes e alcançado excelentes médias para os atuais padrões do horário nobre da Globo. No entanto, isso não significa que "A Regra do Jogo" entrou no eixo. Em reta final, ruim ou não, tende a crescer. Com tantas reviravoltas, quem não ficaria curioso? Até "Babilônia" cresceu um tiquinho nos capítulos finais.

O autor pode até conseguir reerguer 3 ou 4 pontos da faixa mais valiosa da emissora, mas não escapará de ter feito uma novela a sombra de "Avenida Brasil". A encomenda desta vez soou repetitiva, confusa e de pontas soltas, causou dor de cabeça e rejeição em grande parte de sua exibição. A trama sem costura de João Emanuel definitivamente não será lembrada como sua melhor ou quase. Arranhou a imagem do badalado autor e sujou sua lista de grandes trabalhos. Para quem escreveu "Da Cor do Pecado", "A Favorita" e a inesquecível "Avenida", ficou devendo.

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