A cada domingo, um pobre, doente ou desvalorizado é explorado pelo Geraldo Luís

Por: Guiga Bates, 14/02/2016

Samuel, o lavrador, foi destaque na edição deste domingo (14.02)
Pedreiro inteligente, gari que pinta quadros como ninguém, lavrador que tem voz parecida a de certo cantor famoso, meninas pobres do sertão que cantam como profissionais, menino-adulto e muito mais.

Virou moda, qualquer pessoa que tenha uma profissão pouco valorizada neste país, pobre, doente ou de origem nordestina ganha destaque no "Domingo Show", de Geraldo Luis, na Record.

Para destacar o talento do individuo é obrigatória a exploração de sua pobreza ou desvaloração social. O apetrecho torna a história mais emocionante e sensacional. Você não vê um desconhecido rico talentoso ou somente uma simples habilidade de uma pessoa qualquer sendo explorada nesse tipo de programa. O ingrediente que sempre dá certo é quando se é pobre e desgraçado. Repare também naquelas músicas de fundo melancólico. Geraldo e a TV brasileira abusa desse estereótipo.

O próprio apresentador já declarou que "vive desse povo" e que encontrou o "celeiro de histórias maravilhosas", se referindo ao Nordeste. Infelizmente nesta região, apesar de ter um povo resistente as desgraças circunstanciais da vida e dotadas de muito engenho, ainda é o reduto ideal para se encontrar tais histórias para uma exploração barata na TV. A desculpa é contar histórias de superação.

Há quem defenda o Geraldo. Vamos ser sensatos? O "Domingo Show" se aproveita da desgraça alheia e dos dramas humanos. Os programas da emissora vivem disso! Tudo por audiência.

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