Sem graça e com fórmula ultrapassada, "A Praça é Nossa" se estacionou no banco da praça

Paulinho Gogó (Maurício Manfrini) em cena com Carlos Alberto de Nóbrega
Se você, caro leitor, reclamava que o antigo "Zorra Total", da Globo, era o pior programa de humor da TV brasileira, evidentemente tinha esquecido que "A Praça é Nossa" ainda permanece no ar. O programa é tão velho que já rodou pela Record, Band, Globo e, resolveu se mumificar na emissora certa, onde mais se acumula poeira e velharia, no SBT. 

Ao comando de Carlos Alberto de Nóbrega, o humorístico, se é que ainda se pode classifica-lo assim, é exibido semanalmente as quintas. Para muitos, é um baita um susto sintonizar o SBT no horário e se deparar com esse atraso. "Isso ainda tá no ar?"

Apesar de não ter a menor graça, "A Praça" continua no ar por ser um programa de tradição. Originalmente criado e apresentado pelo pai do Cazalbé, Manoel de Nóbrega, o programa se vê obrigado a passar o legado de pai para filho. Será que Marcelo de Nóbrega,  filho do atual apresentador, vai perpetuar a herança? Além de ser um programa com baixo custo, ainda dá audiência razoável para o SBT. É difícil acreditar que o público mais jovem assista o programa, já que a atração parece ser direcionada a idoso.

O programa é tão chato e sem graça, que aquelas risadas exageradas ao fundo serve como um aviso aos telespectadores de que o texto supostamente é engraçado! Se não houver as risadas para induzir o riso, o telespectador fica meio perdido, sem saber quais momentos eles soltam uma piada que preste. Basta o personagem falar alguma besteira e pode esperar aquela risada assustadora. Só assim você toma um susto e acorda, afim de desligar a TV.

"A Praça" já teve graça, desde seus primórdios até um passado não tão distante. Quando circulavam grandes humoristas que encarnavam personagens marcantes tais como Vera Verão, Ronald Golias, A Fofoqueira e Lady Grace Benedita, entre outros, a diversão era garantida. O riso era espontâneo.

Naquele banco há duas tristes realidades. De um lado, humoristas antigos que não se reciclaram e que não querem se arriscar ao novo. Do outro, uma nova geração de pseudos-humoristas que acham que gritar, saltitar, fazer caras e bocas é a fórmula para rir.

Os tempos mudaram, o público segue tais mudanças. O humor da vez é o rápido, o ácido, sem pudor, o politicamente incorreto, o negro. A Globo, a título de exemplo, reformulou o desprezível "Zorra Total", se enquadrou aos novos padrões e entregou o bem sucedido "Zorra", que em nada lembra o anterior.

Por que o SBT não reformula "A Praça"? Vai esperar o público idoso ir morrendo e vê sua audiência ir junto para a cova?

Após 29 anos no SBT, "A Praça é Nossa" é aquele tipo de programa, que se saísse do ar, poucos sentiriam falta ou muitos atualmente nem saberiam do que se trata. Nenhum personagem repercute. As piadas e os bordões não colam mais. Não passa de uma velharia e humor batido, sustentado por humoristas ultrapassados estacionados no banco da praça.

Comente abaixo no Disqus. 
                                                                                      Por: Guiga Bates, redator-chefe do Detona TV
Tecnologia do Blogger.