Quem tem coragem de pagar ingresso para ver reprise de "Os Dez Mandamentos" no cinema?


Desde que a Record lançou a novela "Os Dez Mandamentos" na telinha, quem me conhece sabe, sempre deixei claro minha posição em relação ao produto. Critiquei, bradei, falei mal com todas as minhas razões. E por essa posição contrária a de muitos por diversas vezes arranjei brigas e altas discussões em sites sobre TV.

Apenas manifestava o que via na tela. Só resumindo: atuações sofríveis, texto podre de Vivian, fraca direção do Avancini, efeitos especiais de quinta, trilha sonora one hit wonder e pobre, uma enxurrada de reprises e flashbacks acompanhada de pouco material inédito em quase todos os capítulos, muita barriga e público sendo feito de otário. Sem contar o título da novela que em nada tinha a ver com todo o desenrolar da trama ao longo dos meses. E o extintor?

Resultado: "você é um recalcado, não aceita o sucesso da Record". Nunca disse que a novela não foi sucesso. Só que números de audiência não mede qualidade. E foi qualidade que a novela dos bispos ficou devendo. Como brasileiro já tem mania de seguir modinha e se empolga fácil por qualquer coisa, deu no que deu. Nadei contra a maré em minhas convicções sobre a novela.

Para não deixar morrer o sucesso e faturamento, a Record insiste na marca. Antes de acabar a novela, anunciou "Os Dez Mandamentos - O Filme", um compacto para as telonas com um final alternativo, além de desesperadamente resolver dar continuação a saga para este ano.

Se estivéssemos falando de um material inédito, jamais visto, até arriscaria por a mão no fogo pela Record e dar um pulo no cinema, nem que seja só pra esculhambar depois. Quem em juízo pleno terá coragem de ir aos cinemas, assistir algo que já foi exibido na TV, só pra ver de novo ou esperar por um final alternativo duvidoso? Jogar dinheiro fora em tempos de crise para assistir reprise de uma novela que acabou um dia desses? Depois eu é que sou taxado de alienado.

A Record tem feito marketing pesado pelos quatros cantos afim convencer o público de que a exibição do "filme" será um mega-sucesso de bilheteria. Segundo divulga a própria Record, acredite se quiser, confirma-se 1,5 milhão de ingressos vendidos do filme "Os Dez Mandamentos". Detalhe, isso tudo numa pré-venda. Nossa!

Mas vamos parar um pouco e pensar quem supostamente seria esse público. Me julguem! Fiéis da Universal? Sabe-se que em seus cultos, os bispos tem insistido muito na presença das ovelhas nas salas de cinema. Segundo o IBGE, a igreja tem cerca de 1,8 milhão de fiéis ao redor do país. Será que a lavagem cerebral surtiu efeito? "Se você não for para o cinema apreciar a obra de Deus, vai arder nos quintos dos infernos e não terá as bençãos do Senhor" . Neste embalo, pastores de outras dominações evangélicas também tem dado apoio divulgando o filme. E ainda tem os recordistas fanáticos e curiosos que também pagarão ingresso.

A sede dos bispos e da própria Record em fazer dinheiro tomou grandes proporções indo até contra a doutrina da Universal. Para promover o longa, hipocritamente o "banco" tem divulgado nas redes sociais vídeos de praticantes de umbanda e candomblé incentivando as pessoas a irem ao cinema. Até a Aparecida não escapou.

Lembre-se que a IURD e Record tem um longo histórico de perseguição contra religiões afro e católica. Quem não lembra da polêmica envolvendo um bispo chutando a imagem da santa em cadeia nacional ou das incitações a destruição de terreiros de candomblés promovidos pela igreja de Edir? No esforço de atrair meio mundo para os cinemas aparece de tudo, cartomante, umbandista, pai de santo até devoto de São Jorge pagando de coligado ao dizer que vai assistir "Os Dez Mandamentos". Não se sabe se realmente são praticantes e devotos. Pode ser também charlatanismo para tal propaganda. Vindo da Record e IURD, não podemos esperar muito, né?

A partir do dia 28 em cerca de 1.000 salas do país estreia "Os Dez Mandamentos". Você vai? Eu não!

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                                                                                     Por: Guiga Bates, redator-chefe do Detona TV
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