"Nova Escolinha" renova velho humor sem perder a tradição

Mateus Solano encarnando Zé Bonitinho
Quando se noticia que está por vir um remake de um antigo sucesso, logo dois pensamentos vem na cabeça. É falta de originalidade e criatividade ou vão destruir a obra original, pois sempre o genérico tem fama de sair ruim.

Juro que quando a Globo informou dos novos episódios de "A Escolinha do Professor Raimundo", fiquei temeroso. Primeiro, por que era fã e acompanhava a atração quando estava no ar na década de 90 e início dos anos 2000. Segundo, o que deu certo no passado, talvez não cole nos tempos atuais. E terceiro, o formato já foi tão desgastado, inclusive pela concorrência. Preconceituosamente pensei: "Vai dar errado, mais um fracasso!" Pelo contrário, deu tudo certo!

Sob a direção de Cininha Paula (diretora do original e sobrinha de Chico Anysio), escrito por Nizo Neto (filho de Chico e Ptolomeu original) e com Bruno Mazzeo (outro filho de Chico), a parentela do intérprete do Professor Raimundo Nonato marcou presença em toda a produção.

O que fez história na "Escolinha" voltou com tudo, desde os bordões, os personagens caricatos, piadas de duplo sentido, politicamente incorreto e infantilidades. A piadas parecem ser as mesmas de sempre, só que acompanhado por um frescor moderno, ou seja, inovaram e renovaram o texto sem perder a essência dos personagens originais.

Além de apresentar um excelente texto, o maior acerto da "Escolinha" está no elenco homenageando os grandes nomes que fizeram história na famosa sala de aula. Escolhido a dedo, alguns atores e humoristas parecem ter nascido para o papel, num encaixe perfeito.

Mateus Solano (Zé Bonitinho) e Marcos Caruso (Seu Peru) roubam a cena com suas impagáveis caricaturas. Não tem como ficar sério assistindo os dois em cena. O casal Marcelo Adnet (Rolando Lero) e Dani Calabresa (Dona Catifunda) impressionam desde a aparência ao timbre de voz, idênticos aos seus respectivos personagens. A emoção fica por conta do Bruno Mazzeo, na pele do Mestre, assim como Lúcio Mauro Filho (Aldemar Vigário) assumindo papel que pertenceu originalmente ao seu pai.

Marcius Melhem (Seu Boneco), Marco Ricca (Pedro Pedreira), Fabiana Karla (Dona Cacilda) e Dona Bela (Betty Gofman) são outros destaques da turma. Nostalgia pura!

Só estranhei o Rodrigo Sant'anna (Seu Batista), talvez pelo seu exagerado sotaque carioca, qualquer coisa que ele faça na TV ainda me remete a Valéria. A bandida do antigo "Zorra Total" ainda o persegue.

Em primeira mão e com sucesso no canal fechado Viva, a expectativa se tornou grande para saber qual seria o desempenho da turma na TV aberta. E o resultado não poderia ser outro. Tirou um dez! Não foram apenas gargalhadas que os personagens arrancaram do público de casa, bons números também. Exibido aos domingos no lugar do medonho "Esquenta", tem acumulado média parcial de 15 pontos no IBOPE, alavancando as tardes da Globo.

E se a Globo realmente se empolgar e lançar novos episódios ou fixar o programa em sua grade? Sem querer ser novamente pessimista, será que com o tempo não cairia no desgaste? Visto que programas desse gênero parece ter prazo de validade, uma homenagem curta, como a que está sendo exibida agora, já está de bom tamanho. Outra alternativa seria exibir a atração por temporadas.

Em tributo a Chico Anysio, a "Nova Escolinha" prova que TV tem história e em meio ao saudosismo, resgata o velho humor sem perder a tradição.

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                                                                                      Por: Guiga Bates, redator-chefe do Detona TV
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