Com "Os Dez Mandamentos", Record ganha holofotes e fama de ridícula

Por: Guiga Bates, 30/01/2016

Guilherme Winter achando que está atuando
Que semana movimentada, caro leitor! A fominha e ambiciosa Record atraiu para si todos os holofotes diante da mais aguardada estreia do cinema brasileiro e mundial. Por pouco não recebeu 11 indicações ao Oscar. (risos)

Em meio a polêmicas e muito marketing, a emissora neopentecostal está fazendo de tudo para que o público brasileiro não esqueça tão rápido da novela "Os Dez Mandamentos". Em março, a sequência está chegando e daqui até lá muita água vai rolar. Além da reprise da saga dos hebreus nas telonas, cogita-se outra reprise na telinha, antes de chegar "A Terra Prometida". Tem cabimento um diabo desses?

Sobre a estreia, você que está acostumado a visitar este site, talvez esteja se perguntando: Será que o Bates foi ao cinema conferir a novela picotada afim de tirar suas conclusões? Resposta: Claro que não! Tenho mais o que fazer, nem tampouco sou adorador do Edir, e não torro meu dinheiro com qualquer coisa. Todo mundo sabe que a versão para o cinema não tem lá tantas ou poucas novidades como anunciam.

Quem foi, disse que o trabalho da tesoura não ficou tão ruim. Maurício Stycer, colunista do UOL, afirmou que na telona sumiram todas aquelas papagaiada que a autora Viviam de Oliveira inventou para alimentar os quase nove meses de gestação da novela, resultando em muitas pontas soltas. Segundo ele, toda a trama que se resumiu em 120 minutos se limitou a contar apenas os fatos bíblicos. A maioria dos personagens desapareceram. Diz ele que não ficou tão ruim. Chega! Vamos voltar para negatividade...ha ha ha!

Onde estávamos? Sim...na verdade o que mais chamou atenção foi a propaganda exagerada em cima da vendagem de ingressos e estreia. Nas últimas semanas, a Record infernizou seu público com uma maciça divulgação em sua programação. Uma verdadeira praga com tanta, mais tanta propaganda que quase tive pesadelos. (Sou obrigado a ver Record para poder escrever para o site) A todo momento, em todos os comerciais e  atrações, podia-se ver trailers, cenas e gente enchendo o saco divulgando o filme. Nem a Globo com todo seu poder se prestaria ao ridículo como a Record faz.

Fora da TV o marketing também bombou na internet com vídeos de gente "encostada" e famosos da casa estimulando a venda de ingresso. Nas igrejas Universal e coligadas, os bispos e pastores tentaram de tudo para transformar "Os Dez Mandamentos" num verdadeiro sucesso de bilheteria. Os caras de pau saíram por aí fazendo filantropia, arrecadando dízimo dos fiéis com desculpa de comprar ingresso para os mais pobres. Oh, que boa ação, o terreno no céu já está garantido depois dessa.

Antes da estreia, a Record, IURD e a distribuidora Paris Filmes se vangloriavam dos incríveis 3 milhões de ingresso na pré-venda. Um feito e tanto. Somente um fiel no Recife (PE), desembolsou R$ 220 mil para a compra de 22,7 mil ingressos.

Na pré-estreia glamourosa da terça (26),  convidados e estrelas, ou melhor, meteoritos da Record, saiam deslumbrados com o que viram. Nas entrevistas, o elenco da emissora passava a impressão parecida com aquela que sentimos quando assistimos "Avatar", de James Cameron, pela primeira vez. Quem fez a festa foi a RedeTV!. Tenho suspeitas de que a emissora parasita foi paga para cobrir o evento, conseguiu entrevista com quase todos os conhecidos presentes. Durante esta semana, o "TV Fama" por exemplo, dividiu os furos a prestações.

Sucesso de "Os Dez Mandamentos" em dia de estreia no Cinemark Shopping Metrô Boulevard Tatuapé em São Paulo
No dia da grande estreia e depois, a novela-filme faraônica com mania de grandeza, não conseguiu "parar o Brasil" pela segunda vez. Foi na estreia que a polêmica se armou. Varias salas estava meio que vazias e a falta de público virou piada. Interessante que é tais sessões estavam com ingressos "esgotados".

De um lado, a mídia detonando o vácuo, do outro, a Record e IURD unindo forças mais do que nunca para provar que as salas estavam lotadas e que a mídia só tem o prazer de persegui-las. No "Fala Que Eu Te Escuto" desta quinta (28), um bispo detonou veículos de impressa acusando-os de perseguição, com direito a oração a favor dos inimigos. Jornalísticos da emissora corriam contra o tempo para exibir filas "gigantescas" e público saindo satisfeito da sessões.

O que se viu - só não vê quem não quer ou por que é tapado - é que a Record e sua inseparável igreja jogou sujo no mercado apostando no marketing estelionatário. Com o único objetivo de lucrar e se enaltecer acima de tudo, tentou fazer com que o brasileiro menos consciente e carente de fé acreditasse na onda do suposto sucesso e surpresas de "Os Dez Mandamentos" para o cinema. Como sempre, a dupla canastrona usa e abusa de má fé. É por essas e outras atitudes que a emissora do Edir se mancha e perde credibilidade. Fama tem, de ridícula!

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