Após sofrer pragas e levar um caldo da Record, "Jornal Nacional" sobrevive e não é mais o mesmo

Através de um telão, Bonner interage com
Maria Júlia Coutinho durante a previsão do tempo no JN
Alvo de amor e ódio, o "Jornal Nacional", telejornal mais antigo e principal do país, exibido de segunda a sábado pela Rede Globo, definitivamente ficou marcado para sempre no último ano que se passou. Com mudanças significativas e derrotas históricas, o jornalístico sobreviveu e não é mais o mesmo.

As mudanças para melhor

Desde abril de 2015, o público acompanhou o JN sofrer grandes mudanças. Ganhou um novo cenário moderno, amplo e esteticamente bonito. 

A parte dedicada as previsões do tempo passou ser ao vivo, com William Bonner e Renata Vasconcelos, atuais apresentadores, e a moça do tempo, Maju, interagindo numa boa. Sem dúvidas, a previsão se tornou o momento mais divertido e aguardado pelo pessoal de casa. Antes, a previsão era gravada e soava superficial, pouco atraente.  

Lembra dos enquadramentos fixos? Nunca mais! Os âncoras não se prendem apenas na bancada. Bonner, principalmente, circula pelo cenário, apresentando gráficos, operando telões e conversando com repórteres espalhados por algum lugar do país ou do mundo.

Através de pesquisas, a Globo sondou os telespectadores. Foi apontado um desejo de que o telejornal apresentasse um jornalismo mais arrojado, informal e conversado. Pedido efetuado com sucesso. Até mesmo o uso de redes sociais, documentando os bastidores da atração, bombou na internet.

Um dos problemas enfrentado pelo JN é ficar refém do desempenho de novelas das sete e nove, na estratégia sanduíche. Apesar do fracasso de algumas novelas em 2015, o JN tentou de tudo para se manter.

A queda de audiência é outro fator que tais mudanças pretendem reparar com o tempo. No passado, o telejornal alcançava até 40 pontos no IBOPE. Atualmente oscila entre 23 a 27 pontos, bom desempenho em dias de share alto.

Período de trevas

Todas essas mudanças já citadas e constatadas consolidaram-se positivas. Porém, não seriam os únicos motivos marcantes na história recente do JN.

2015 não foi fácil para o telejornal quase cinquentão! Se aproveitando da rejeição da novela das nove, a concorrência resolveu acordar e partir pra cima sem piedade. Além do SBT que já sugava uma fatia da audiência exibindo "Chiquititas", a Record, inimiga mortal da Globo, lançou uma trama religiosa de forte apelo que causou muita dor de cabeça e uma tremenda briga por audiência na faixa das 20h30. Uma briga a níveis estratosféricos, deixando qualquer fã de bastidores de TV de boca aberta e na maior empolgação.

Em curva ascendente, "Os Dez Mandamentos" foi a novela que mais incomodou o JN. Com a chegada das pragas, Bonner e Renata sofreram mais que os egípcios. Batendo recordes, a saga dos hebreus se aproximava dia após dia da Globo de forma avassaladora. Próximo ao ápice da trama, a Globo tentou de tudo para que a "A Regra do Jogo" não fosse afetada. Em algumas edições,  o JN foi esticado por mais de uma hora até causar cansaço. Reportagens longas, populares e água com açúcar dominaram as pautas do telejornal. Mas não deu! O inevitável aconteceu. Um dos maiores produtos da Globo junto com a novela das nove, tomou o maior caldo da Record. Engolido pelo Mar Vermelho de ponta a ponta em diversas praças do país, sentiu o gosto salgado da derrota histórica e humilhante.

Sobreviveu 

Quem pensou que seria o fim da hegemonia do telejornal global no horário, se enganou. Depois do quase afogamento, o JN se reergueu com o fim da novela bíblica da concorrente. Um alívio!

As mudanças e marcas adquiridas na guerra contra Record estão mais evidentes do nunca. A pegada do telejornal está mais atraente, popular e menos hard. Renata Vasconcelos segue imprimindo leveza, elegância e seriedade. Difícil também é imaginar o JN sem o Bonner, que se tornou queridinho e figura carimbada até pra ser zoado pelo público. 

É possível sentir uma linguagem jovial, dinâmica e de fácil entendimento no texto de repórteres como Phelipe Siani (clone do Bonner), Pedro Vedova e Danilo Vieira. Munida de uma mega equipe, o JN mantém alta capacidade de cobrir de forma mais ampla os principais fatos do país e mundo afora  do que qualquer outro telejornal na concorrência.  As novelas do sanduíche voltaram a crescer em audiência beneficiando ainda mais o telejornal.

Após 46 anos, é inegável o poder e influência que o "Jornal Nacional" ainda tem diante de seu público. Papo de manipulação é balela e conversa fiada atiçada pelo gosto e opinião de um indivíduo ou grupo bem intencionado contrário a notícia. O telejornal mais assistido e reconhecido do país avança inovando, quebrando seus próprios tabus, corrigindo erros do passado e sobrevivendo nos intemperes de uma época do tudo ou nada por audiência. Diante de tantas opções do gênero na TV e internet, forte concorrência e mudanças constantes no gosto do telespectador, mantém com qualidade sua mais nobre função, que é informar.

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                                                                                      Por: Guiga Bates, redator-chefe do Detona TV
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