Jornalístico de Domingos Meirelles é uma raridade na Record

Jornalista Domingos Meirelles
Quando você dar de cara com o "Repórter Record Investigação" sente logo o impacto. Pera aí? Esse programa é na Record? Sim, você está na Record. Essa reação advém por causa da linha editorial que a emissora insiste promover em seus programas jornalísticos. Apelo e sensacionalismo tomam conta. É assim que a emissora do Edir decidiu influenciar decisivamente na construção de sua mensagem. Desde os "prestadores de serviço", os policialescos, as revistas eletrônicas, até a pegada do "Jornal da Record" que deveria ser a salvação, ainda abusa de pautas criminais. Por isso, a estranheza.

Diante do excesso, a Record resolveu estrear em abril de 2014 mais um programa jornalístico. Outro? Só que dessa vez o diferencial é visível em comparação com o refugo manjado do canal. Então, o que leva tal programa ser uma joia rara na emissora?

Sim, o "Repórter Record Investigação" é o que salva o jornalismo da Record. Foca em denúncias exclusivas, temas polêmicos e grandes reportagens investigativasQual o segredo? Domingos Meirelles.

Um jornalista investigativo renomado, sério e profissionalíssimo que exala credibilidade por onde passa. Além do serviço prestado a grandes revistas e jornais impressos do país, Meirelles tem no curriculum uma longa carreira na Rede Globo como repórter especial para o "Fantástico", "Jornal Nacional" e "Globo Repórter". Durante sete anos foi o apresentador do programa policial de sucesso "Linha Direta". A capacidade do homem é tamanha, que em setembro de 2014, foi eleito presidente da "Associação Brasileira de Imprensa". É com essa experiência e maestria que o jornalista conduz seu programa na Record. Seu texto é preciso, narrado no tom exato. Em nada cansa o telespectador. Sem embromações e direto ao ponto.  Uma raridade, um exemplo a ser imitado em meio a tanta coisa ruim na área jornalística da emissora. 

Sua equipe de trabalho também deve levar seus próprios méritos. Mas, quando você assiste a qualquer edição do programa, não sente a imposição de um padrão diferencial que não se vê muito na Record? É o padrão Meirelles, lembra muito o padrão jornalístico Global. Um jornalista de tal porte não aceitaria se tornar mais um ou qualquer tranqueira na Record, tipo o Rezende. Sem o Meirelles, a equipe talvez seguiria a mesma sina das outras atrações jornalísticas do canal, a mesmice.

O programa tem porte e potencial. Comprova-se pela coleção de sete prêmios importantes, por exemplo, o "Tim Lopes de Jornalismo Investigativo" e "Vladimir Herzog". Ainda obteve uma menção honrosa e ganhou um prêmio de melhor chamada. Em 2015, o "Repórter Record Investigação" já abocanhou 5 prêmios, como mais recentes o "32º Prêmio de Direitos Humanos em Jornalismo" e o "CBIC de Jornalismo".

A Record e seu padrão carniceiro de fazer jornalismo, definitivamente não merece o profissional que tem. Não era para o Meirelles está lá. Não combina com a emissora. Além de se destacar, sutilmente e sem querer, consegue envergonhar outros colegas que acham que sabe fazer jornalismo. Se a audiência do programa não corresponder positivamente no futuro, tomara que os bispos não ponham o Meirelles a perder. Ultimamente em São Paulo, a atração tem média de 6 pontos no IBOPE. 

O "Repórter Record Investigação" vai ao ar às segundas-feiras, tarde da noite, logo após o programa da Xuxa. É claro que nesse meio tempo, o leitor não precisa assistir o genérico da loira até começar o melhor e único programa que tem o "Jornalismo Verdade" na Record.

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Por: Guiga Bates, redator-chefe do Detona TV
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