Recentes

Tecnologia do Blogger.

De quem é a culpa pelo excesso de novelas na TV aberta?

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
"Maria do Bairro", dramalhão  mexicano reprisado sete vezes pelo SBT
Você é daquele que liga a TV e acaba se deparando com uma enxurrada de novelas, ocasionando aquele ódio intransponível? Somos dois. Não aguento mais zapear as grandes emissoras e me deparar com esse excessivo despautério. Por que tanta novela? Culpa de quem? Minha que não é.

Ultimamente nossa querida TV aberta praticamente entupiu sua programação com novelas. De todos os tipos. Nacionais, mexicanas, infantis e agora pra completar a bagaça, as turcas vieram pra ficar. Não há como negar, por mais que se reclame de que novela é para desocupado e emburrece o cérebro, brasileiro ama uma novela. Pode faltar tudo no cardápio do dia, menos feijão + arroz + café e novela. Um combinação que perdura por décadas. Até quem torce o nariz e não curte, vez por outra se rende aos capítulos finais de um folhetim. Final de novela das nove comprova o que acabei de dizer. 

Com o passar dos anos, este mesmo público noveleiro vem ficando cada vez mais exigente, ousado e chato. Ainda mais agora que tem em suas mãos as redes sociais. Uma benção ou uma praga. Se o público não simpatizar com a trama todo um trabalho e investimento pode ir pelo ralo para o desespero das emissoras de TV. Que nem formiguinhas unidas, usam esses mecanismos rápidos e certeiros para detonar o que vier pela telinha. Ficar de olho nos erros de continuidade, nos celulares de cabeça pra baixo e nos extintores deixados a solta, virou hobby para muitos. Ao contrário também, se o publico der o aval, o sucesso tá mais que garantido. As redes socais entram em alvoroço transbordando hashtags, casais shippados e memes. Sabe como é, né? Modinha virou tendência nacional.

Exigentes e com razão. Foi-se o tempo que as grandes emissoras de TV produziam novelas de altíssima qualidade. A repetição dos temas e desgaste faz o publico clamar pelos antigos folhetins. Para alegria dos noveleiros e de quem pode pagar, o Viva, na TV fechada, preenche essa seca reprisando grandes e inesquecíveis sucessos da Rede Globo, maior produtora de novelas do mundo. 

Falando em Globo, é a que mais sofre nas mãos do público quando os mesmos resolvem não comprar as ideias do autor. Ano após ano a audiência de suas novelas tem caído consideravelmente. A fórmula desgastada favela + funk + violência + Rio já deu o que tinha que dar. Ninguém aguenta mais. Depois de muito tempo a líder resolveu voltar aos tempos da roça e calmaria das novelas de época. 2016 promete. 

Diante do avanço avassalador da internet, da TV fechada e dos serviços on demand, as novelas ainda tem seu lugar na casa e no coração dos brasileiros. Fato comprovado pela enxurrada de folhetins exibidos diariamente na TV aberta. Lembre-se: se tá no ar é por que o público aceita esse exagero. Sem audiência satisfatória não haveria excesso de novelas, principalmente as reprisadas e enlatadas. Não adianta dar vazão e depois ficar de minimini.

A Globo tradicionalmente e quase que diariamente exibe uma reprise e mais quatro novelas inéditas, além da periódica novela +18 da faixa das onze. Um fator positivo pois gera conteúdo próprio e inúmeros empregos.

O Mofo, mais conhecido como SBT, é quem exagera na dose. Exibe exaustivamente reprises no horário vespertino, pode-se ver na grade quatro novelas enlatadas, dentre elas, duas inéditas de péssimo gosto. Soma-se a isso uma inédita infantil e outra reprise também infantil no horário nobre. Desisto dessa aí.

A Record que zombava do comodismo do Mofo anda queimando a língua ultimante. Depois de sofrer com seus insucessos a tarde decidiu entrar na onda e reprisar duas novelas neste período. Agora vem o pior. Depois de um mega sucesso no horário nobre, a emissora comandada pelos bispos que nada entendem de TV e estratégia, resolveram burramente trocar uma novela inédita e anunciada por reprises de séries bíblicas. O resultado já sabemos. Queda livre!  

E a Band, por preguiça e barateza, resolveu importar novelas turcas que andam causando ao redor do mundo. Nada que abale as estruturas atuais de audiência por aqui. Uma por vez tá de bom tamanho, até por que grana e audiência não tem para comprar ou exibir mais.

Atualmente, a TV aberta empurra guela abaixo uma soma de 14 novelas. Tarde e noite dominadas por novelas. É o que segura a maioria do público diante da TV. Sem novelas a média-dia em audiência das grandes emissoras do país sofreria um rombo cataclísmico. As emissoras, ao longo dos anos, mal acostumaram tanto o público que agora se tornaram reféns da boa vontade deles de ver novelas.  

Não sabemos até quando as novelas vão aguentar o rojão ou até quando o publico as suportará. No ínterim, as emissoras se viram como podem para mantê-las no ar. E não adianta mexer nas características básicas de um folhetim. Os que tentaram até hoje se arrependem.

Novela não pode morrer, a teledramaturgia faz parte da TV. É cultura brasileira, acredite! É Pop! E ainda tem poder. Quando uma novela é sucesso consegue alavancar toda uma programação que vem depois. Na cabeça do povo forma opiniões e tendências. Emociona e causa até revolta. Mas, vamos combinar, não poderiam diminuir a dose?

Comente abaixo no Disqus. 
                                                                                      Por: Guiga Bates

Recomendamos para você